domingo, 23 de abril de 2006

Os verdes

Confronto

O encontro entre Lanterna Verde e Arqueiro Verde promovido por Dennis O’Neil e Neal Adams já foi dissecado pela coluna Mancha Gráfica, quando a Opera Graphica lançou as duas primeiras histórias da parceria, há dois anos. Complementando o resgate, a Panini começa agora a lançar todas as histórias conjuntas dos dois heróis esverdeados.

No texto de abertura, O’Neil encaixa a sua série no rebuliço da virada dos 1960 para os 1970 – leia-se flower power, Grateful Dead, Led Zeppelin e, em uma seara mais literária, Norman Mailer, Tom Wolfe e outros. Mostra o que quis dizer logo na primeira história. Um velho afro-americano interpela Hal Jordan: “Cê trabalha pruns anãozinhos azuis, ajudou uns sujeitos laranja, deu uma força prum povo roxo. Por que você nunca ajudou os negros?”. Quadrinhos de super-herói acabavam de deixar de ser coisa de criança.

A palavra chave é confronto. Um Lanterna apolíneo em choque com um Arqueiro dionisíaco, obrigados a conviver. Uma América ideal confrontando uma realidade que não deu tão certo. E dois quadrinhistas que tinham pouco em comum, mas que souberam utilizar este confronto como força criativa. O’Neil parece ter listado todas as chagas dos Estados Unidos à época e distribuído entre as histórias. Adams faz diagramações brilhantes – e como ele desenha a Canário Negro charmosa.

O encontro reverbera até hoje (experiência interessante: releia Arqueiro Verde – A Busca e você entenderá. Brad Meltzer amarrou muito bem a história). Pode-se afirmar que tudo feito em HQ de super-herói com uma temática mais realista/social seja filhote dá série – e de Stan Lee colocando o Homem-Aranha em meio a protestos estudantis na mesma época.

A Panini faz o seu melhor relançamento desde o Demolidor de Frank Miller, de um material raro, só antes publicado em formatinho. E continua em maio, com o segundo volume – que trará a famosa história do Ricardito junkie. Ponto para eles.

Grandes Clássicos - Lanterna Verde/Arqueiro Verde reproduz as edições 76 a 82 da revista Green Lantern/Green Arrow. Tem formato 17x26 cm, traz as capas originais, introdução por Dennis O’Neil, biografia dos autores, capa cartonada de couché, 180 páginas em papel LWC e custa R$ 24,90.

Publicado originalmente no Sobrecarga em 20/04/06.

sábado, 22 de abril de 2006

sexta-feira, 21 de abril de 2006

A decadência do futebol carioca

Os ovos de Páscoa do Vasco da Gama estão em promoção na Lojas Americanas. Encalhou.

P'ra dizer adeus

A Kerrang! colocou no ar o novo clipe/single do Placebo, Song to say Goodbye. Meia-bomba toda a vida.

quinta-feira, 20 de abril de 2006

Danger Girl

As Panteras

Após ter estreado no Brasil em uma edição especial com o Batman, Danger Girl tem agora seu arco inicial finalmente lançado, dividido em dois encadernados da Devir: Danger Girl – Perigosamente Sua e Danger Girl – Jogos, Trapaças e Sedução. Danger Girl, que pertence ao selo Wildstorm, da DC, não trata só de uma garota, mas, para felicidade geral, das quatro que compõem a agência de espionagem que dá título à série. Os dois volumes mostram o recrutamento da última integrante, Abbey Chase.

Antes de avançar, é necessária uma contextualização histórica. Em 1997, quando DG foi lançada, J. Scott Campbell acabara de deixar Gen 13, série-ícone do boom da Image Comics, feita em parceria com Jim Lee. Conforme explica no prefácio do segundo volume, Campbell estava cansado do esquema ação, superpoderes, peitos e bundas de Gen 13. Então, desenvolveu Danger Girl, que tem ação, peitos e bundas, mas sem superpoderes. Enfim...

Algo fica claro em todas as páginas: Campbell ama Abbey Chase. Ele ama desenhar suas curvas, enche-la de detalhes como a pintinha na bochecha esquerda e vesti-la com roupas provocantes. E vai fazer de tudo para você se apaixonar também. Danger Girl joga com os fetiches. Tudo, claro, dentro da boa moral da indústria americana de quadrinhos – ainda mais em 1997, quando o Comics Code era vigente.

Pena que Campbell não consiga fazer o mesmo com os roteiros. Nem com a ajuda do co-roteirista Andy Hartnell - que, aliás, nunca fez muita coisa fora parcerias com Campbell. A história é assumidamente copiada, digo, inspirada em Os Caçadores da Arca Perdida: busca por artefato místico, nazistas querendo dominar o mundo e até Sean Connery. Mas, diferente do filme-inspiração, o
ritmo é meio truncado; parece que faltou tirar algumas gorduras do roteiro para a ação desenfreada. Além de não ser nada original.

Campbell é um desenhista com personalidade – apesar dos rostos iguais de Abbey e Natalia –, o que gera diferentes reações. Os admiradores poderão se deliciar com o segundo volume, cuja metade é dedicada a pin-ups, capas, estudos, story-boards e brincadeiras – a melhor delas é passar as páginas rapidamente, olhando para o
s cantos inferiores, e ver Abbey dançando graciosamente na mais velha técnica de animação do mundo.

Danger Girl é recomendado aos fãs de Campbell. Para os dema
is, fica a sensação de que foi bom, mas que poderia ter sido bem melhor.

Danger Girl – Perigosamente Sua tem formato 23x16 cm, 130 páginas, prefácio escrito pelo ator Bruce Campbell e custa R$ 36. Danger Girl – Jogos, Trapaças e Sedução tem as mesmas dimensões, 204 páginas, prefácio por J. Scott Campbell e custa R$ 42.

Publicado originalmente no Sobrecarga em 18/04/06.

Como se a minha vida já não tivesse danger girls suficientes.

quarta-feira, 19 de abril de 2006

Uma pequena vitória

Ontem, eu consegui uma pequena vitória. Ajudei um amigo a resolver um problemão financeiro. Uma pequena vitória para mim, mas que fará muita diferença para ele.

Incrível como isto melhora o seu dia.

The Small Victories
The Cankers And Medallions
They Keep Me Thinking That Someday

I Might Beat You
But I'll Just Keep My Mouth Shut

Canção do Faith no More - que não tem muito a ver com o contexto, mas eu gosto bastante.

Sexo ruim

Dizem que não existe sexo ruim.

Existe sim. Chama-se fisioterapia.

Você fica suando em uma cama, em posições esquisitas, com uma mulher mandando em você. Contando assim, pode parecer legal. Mas não é.

E olha que quase toda fisioterapeuta é gatinha.

segunda-feira, 17 de abril de 2006

Seu Jorge Electric Ladyland

Foto para a Vogue RG.

Malandrão...

Atualização: O Moby foi mais malandro antes.

domingo, 16 de abril de 2006

Lichtenstein no MAM


Bela mostra e bela amostra de Roy Lichtenstein no Museu de Arte Moderna do Rio - após ter passado por SP e Bs As. Não tem um enfoque rígido determinado, não varre sua carreira inteira, nem são as obras mais famosas: colagens, pinturas e desenhos junto a diversos estudos. Ideal para analizar o processo criativo.

Muitas obras recentes, como 1992 e 1995 - Lichtenstein morreu em 1997. E todas de coleção particular. O que só alimenta meu sonho de poder comprar uma delas um dia.

De lambuja, uma exposição só de obras sobre o Pão de Açucar - ideal para gringo ver. E uma mostra de um arquiteto finlandês.

Collage for House I, aí no topo, está no MAM.

Segundo pesquisa, 51% dos cariocas pensam em deixar a cidade por causa da violência

Ótimo. Vão embora. A cidade vai ficar bem melhor. E bem menos violenta.

Ladrão da Eternidade

Cliver Barker escrevendo para crianças. Clive Barker, o sujeito que criou o Pinhead – o cara cheio de espinhos de Hellraiser -, escreve livros aterrorizantes e já inspirou quadrinhos perturbadores, produzindo algo para crianças. Foi mais ou menos assim que The Thief of Always foi recebido em 1992, quando foi lançado. O livro, escrito e ilustrado por Barker, nunca foi lançado no Brasil. Mas sua versão em quadrinhos, O Ladrão da Eternidade, chega agora via Pixel Media, após ter saído ano passado nos Estados Unidos.

Barker usa uma velha artimanha: escreve algo supostamente para crianças, mas que agradará mesmo aos mais velhos (vale lembrar que a HQ em nenhum momento se define como infantil, tanto aqui quanto lá fora). A história parece O Mágico de Oz, só que contada pelo Marilyn Manson: o menino Harvey Swick está entediado com fevereiro (o equivalente do hemisfério norte ao nosso agosto: volta de férias, ainda com meio ano de aulas e sem feriados. Pelo menos é mais curto) e conhece um sujeitinho estranho que o apresenta à Casa de Férias do Senhor Hood. As quatro estações do ano acontecem todos os dias na casa, assim como Helloween e Natal. A única condição é que Harvey nunca a deixe.

A premissa pode parecer um pouco batida, mas o texto de Barker e o ritmo criado por Kris Oprisko – responsável pela adaptação do roteiro – salvam. A partir do momento em que Harvey descobre que algo ali é muito estranho, a trama fica bem assustadora e claustrofóbica. Cai no final, com um embate meio nada fora do comum e um epílogo apressado. Os personagens são carismáticos e bem delineados, mesmo seguindo os estereótipos clássicos para a identificação infantil. A melancólica Lulu clama por solidariedade. E Harvey, se fosse para Hogwarts, transformaria Harry Potter no segundo da turma facilmente.

Tudo ficaria bem aquém com um desenhista chinfrim. O que está longe de ser o caso de Gabriel Hernandez. O artista usa sua experiência como ilustrador de livros infantis para criar o clima etéreo que a história pede. Traduz diferentes atmosferas com os sombreados. E “bolou” o design dos personagens de Barker bem ao gosto do autor – principalmente os mais bizarros.

A capa da edição brasileira é semelhante ao encadernado da IDW Publishing, que lançou a história nos EUA dividida em três partes – e com imagens de rosto mais bonitas. O álbum da Pixel traz um artigo sobre Barker escrito pelo crítico Rodrigo Fonseca, uma entrevista com o escritor e um sketchbook comentado por Hernandez.

Tim Burton deve adorar.

O Ladrão da Eternidade tem 148 páginas em papel couché, capa cartonada e custa R$ 33.

Publicado originalmente no Sobrecarga em 10/04/06.

Quase que esqueço de colocar isso aqui.

sábado, 15 de abril de 2006

Leo Martins


Triunvirato da seleção, retirado do No Mínimo. Leo Martins é o melhor discípulo de Loredano que eu já vi.

Sair à noite

Sair à noite é uma merda.

Mas ainda assim é melhor do que ficar em casa, "assistindo seção erótica do Telecine Action", como escreveu certa vez o Calbuque. Minha sexta-feira nada santa foi horrível. Maquiavel escreveu que um bom governante depende de fortuna e virtu. Sorte e competência. Pois eu fui azarado e incompetente.

Pelo menos, sair à noite serve para travar diálogos como este:

Eu - ... mas, então, como estava a praia hoje?

Jovem Estilista - Estava ótima. Mas teve uma hora que eu fui mergulhar e veio uma série de ondas gigantes. Parecia um tiramissu.

quinta-feira, 13 de abril de 2006

"Cansei de refletir. Simplesmente sou"

A frase aí de cima resume de forma grotesca boa parte do que o Existencialismo se propunha. E ela foi dita pela Deborah Secco.

Eu já li alguma parte da obra de Sartre, tomei o expresso mais caro da minha vida no Café de Flore para estar no lugar dele e quase fui a Le Havre para tentar entendê-lo melhor. E recorro à uma citação da atriz que fez a Carol nas primeiras temporadas de Confissões de Adolescente.

É duro, mas é assim que eu me sinto. E tem feito muito bem. Cada vez me sinto mais bem resolvido comigo mesmo. E tenho tocado minha vida desta maneira.

Existem frases que mudam a vida de uma pessoa. E uma das que mudou a minha foi "o seu problema é que você pensa demais", dita não pela Deborah Secco, mas por uma garota responsável por alguns dos meus turning points.

Desde que decidi deixar algumas grandes elocubrações de lado, muita coisa simplificou. E ficou melhor. E acho que parte do Existencialismo, pelo menos da forma que eu o entendo, tange a isto. Filosofia serve para tornar a nossa vida melhor.

Escrevi, sem querer chegar a nenhum lugar específico, ouvindo o do post abaixo. Falando em post, o dos Loucos sobre a ida à ECA tá super.

Impressões em breve

2 encontros improváveis

1) Furo de blogtagem do Jamari: Zélia Duncan substiuirá Rita Lee na apresentação que os Mutantes farão em Londres. Rita não quer ver Arnaldo Baptista e Sérgio Dias nem pintados, mas deu o aval para Zélia, que, cuidadosa, foi se consultar com Santa Rita de Sampa antes de aceitar o convite. Apesar das vozes das duas serem bem diferentes, pode ficar muito bom. Em breve, deve vazar para a internet. O Liminha, que tocou baixo nos Mutantes quando tinha 15 anos, entrou no projeto, mas já saiu.

Caetano se apresentou nesse festival da tropicália na Inglaterra. O Gil foi dar uma conferida na visita presidencial há um mês e, como é baiano mas não é lento, fecha as apresentações. O negócio toma essa dimensão na imprensa brasileira, mas, em Londres, deve ser nota de rodapé nos jornais. Pelo menos, reuniu (em parte) os Mutantes.

2) Programa de Luciana Gimenez segunda à noite - não, não vi. Mas foi-me repassado de fonte fidedigna. Desafio de sinuca entre Rui Chapéu, Inri Cristo e uma loura. Com comentários de Padre Quevedo. Em dado momento, Quevedo começa a provocar Inri: "Se você fosse mesmo Jesus Cristo, ganhava este jogo de uma vez".

Inri Cristo, então, mata quatro bolas seguidas. Luciana, pasma: "E agora, Quevedo?".

Mas Rui Chapéu acabou se recuperando no final.

quarta-feira, 12 de abril de 2006

Angeliglaucolaerte

Seis Mãos Bobas: Laerte, Angeli e Glauco reunidos em livro

Mesmo quem conhece muito pouco de quadrinhos e charge não resiste a esses três. Angeli, Glauco e Laerte fizeram história nas publicações Chiclete com Banana e Geraldão, publicadas entre 1985 e 1989. Os causos dos três amigos são agora reunidos em Seis Mãos Bobas, co-edição da Devir e da Jacarandá.

O livro coleta 17 histórias, como Deu a louca no Dirceu e A merda não vai para todos, para mostrar como funcionava a sobreposição de traços e besteiras dos três. Além delas, Seis Mãos Bobas traz fotos de época, comentários sobre o processo de criação das tramas e dos desenhos. O prefácio é de Gonçalo Junior, relembrando a experiência da Circo Editoria e localiza historicamente o momento em que foram produzidas.

O lançamento do livro acontecerá no dia 26 de abril, à partir das 20h, no Circo Zanni – rua Augusta, 344 (esquina com Caio Prado), São Paulo.

Seis Mãos Bobas tem 80 páginas em preto e branco, formato 21x28 cm e custa R$ 23.

Originalmente publicado no Sobrecarga em 12/04/06.

Isso vem dos mestres, com muita sacanagem. Todo desenhista brasileiro de quadrinhos é filhote do Laerte. Somente o Angeli tem a acidez que eu preciso. E o caos de Glauco traz à tona coisas que nós mesmos não sabemos que temos.

O lançamento brasileiro do ano. Estou louco para pegar neste livro. E como eu gostaria de estar em SP dia 26 de abril.

segunda-feira, 10 de abril de 2006

A entrevista honesta e a Dani California

A entrevista honesta: http://sepultura.uol.com.br/forum/viewtopic.php?t=16053

Igor continua pureza. E muito franco. Respostas naturais. Aliás, o Sepultura faz algumas das melhores entrevistas com bandas deste país.

A Dani California (com imagens): http://www.redhotchilipeppers.com/news/news.php?uid=174

Música clicletona. E popzona. O que está longe de ser um demérito. Eu adoro Chili Peppers pop. Mas espero que tenha alguma cavalada no(s) CD(s). Os primeiros singles do RHCP nunca são os melhores.

O clipe é bem dirigido. E engraçado. Principalmente a parte nirvânica.

sábado, 8 de abril de 2006

Tudo que é sólido se desmancha no ar

Ou tudo sempre acaba sacaneado na internet.

Com a difusão da Wikipedia, diversas teorias sobre uma nova fase da web foram cunhadas, em que seremos menos receptores e mais editores do material.

Então, um grupo de desocupados cria a Uncyclopedia e joga tudo no ventilador. Vou colocar abaixo um dos links mais significativos:

http://uncyclopedia.org/wiki/Brazil

Mas se você quiser saber do que realmente se trata a Uncyclopedia, clique aqui.

É só ligar os autofalantes


E clicar na (boa) capa de
Punk Goes 90's.

GTA Rio de Janeiro

Sensaciona. Me mandaram por e-mail. Se este jogo existisse, seria um grande sucesso de vendas - inclusive mundial, após Cidade de Deus. Os créditos das imagens são do Mataleone. Mais frames:

sexta-feira, 7 de abril de 2006

As Bonecas Russas

Hoje finalmente estréia no Brasil As Bonecas Russas, que eu assiti como Les Poupées Russes ainda em território francês. Foi um dos filmes que mais gostei no ano passado, envolto ainda por aquele contexto, e que rendeu um texto para minha finada coluna no Sobrecarga - coluna escrita em uma passeio naquela marina do Canal Saint Martin, próximo à Bastilha. Um dos trunfo de As Bonecas Russas é mostrar como as inglesas estão ficando lindas. Kelly Reilly era uma baranguinha sem sal no primeiro filme; agora é dona destas sardas e deste cabelo cobre. Com o charme sem sal que só as inglesas sabem ter.

CDFs

Assisti o Top Top CDFs, um dos poucos programas interessantes da MTV atualmente.

- Já sabia que o Greg Graffin, do Bad Religion, tinha mestrado em Biologia Evolutiva - com uma tese coerente com sua banda: todas as teorias evolutivas criadas até hoje excluem a possibilidade da existência de Deus. Ele, inclusive, fez uma pesquisa com a comunidade científica e encontrou ainda muita resistência à idéia de que não há Deus. Rendeu até uma boa entrevista para a SuperInteressante. O que eu não sabia é que Graffin não parou no mestrado: já é PhD. Sem deixar de cantar em uma das melhores bandas punks da Califórnia nem a particação na Epitath Records, que criou para lançar sua banda - e dos comparsas.

- Brian May não tinha dinheiro para comprar uma boa guitarra aos 16 anos. Então, construiu uma, com ajuda do pai projetista. No ano seguinte, saiu da escola direto para o Royal College of London onde foi estudar Física. Emendou um mestrado direto. Mas teve que interromper com o sucesso do Queen. Após a morte de Freddie Mercury, se consolou retomando o estudo, concluído com uma tese sobre Astrofísica.

- Rivers Cuomo - que ganhou, obviamente - finalmente conclui este ano seu curso de Literatura Anglosaxônica em Harvard. A formatura é em dezembro. Tomara que tenha show do Weezer.

Só senti falta de um brasileiro na lista: Roger Moreira, que tem Q.I. de gênio. Mas não é preciso Q.I. para mostrar que Roger Moreira é gênio.

quinta-feira, 6 de abril de 2006

Tool cada vez mais Invencível

Quadro de Invencível, HQ resenhada no post abaixo. Na página oposta, há um cara com camiseta do Slayer. Mas ídolo mesmo é o maluquinho com boné dos Garanhões Selvagens.

Falando em invencíveis, Julia Ryff, assessora do Circo, publicou um texto assaz interessante no blog do Jamari. Eu odeio a cultura do VIP. Eu odeio a cultura do nome na lista. E odeio principalmente os jornalistas que usam isso para se diferenciar do público "mortal". Seja em shows, seja no Maracanã, seja em cabines de imprensa; o pessoal está precisando revisar as aulas de ética - se é que tiveram.

“Então... É legal ser super-herói, não?”

Na longa e irregular apresentação do primeiro volume de Invencível, da editora HQ Maniacs, o roteirista Kurt Busiek manda uma bola dentro: define que Invencível é um gibi de super-herói, e que não tem o menor complexo em sê-lo. Exatamente. Mark Grayson é filho de um dos homens mais poderosos da Terra e sabe que herdará seus poderes. É somente uma questão de tempo. Mais ou menos como qualquer adolescente que espera fazer 18 anos para comprar revista pornô.

Para quem anda lendo muitos heróis em crise, parece até estranho a simplicidade do mundo de Mark. Apesar de enfrentar exércitos extra-dimensionais, sua mãe está mesmo preocupada se ele vai chegar antes do jantar esfriar. A escola de Mark parece bem fiel das originais americanas, e há algumas questões adolescentes – mas nada perto de ficar “aborrescente”. Talvez porque quem as escreve tenha acabado de sair da adolescência.

Invencível apresentou Robert Kirkman aos quadrinhos mainstream, após algumas publicações independentes – depois ele foi trabalhar com a Marvel, mais mainstream ainda. Foi tratado como menino-prodígio (Kirkman tem 20 e poucos anos), principalmente por sua capacidade de produzir muita coisa (boa) em pouco tempo. O que transparece em Invencível é o seu timing para ação, a história bem amarradinha e simplicidade.

A simplicidade de Kirkman é acompanhada pelo promissor desenhista Cory Walker, que entrega os pontos na contracapa: o barco do pai de Mark chama-se Mignola. Mas a fonte de inspiração é destilada em um traço mais limpo, bastante ágil, bem de acordo com o timing do escritor. E se diverte inserindo referências: procure por Charlie Brown, Jay & Silent Bob e Bill & Ted. Walker participou da concepção visual do personagem, e das sete primeiras edições. Atualmente, desenvolve uma série própria. Lupa nele.

Invencível é também o álbum de estréia da HQ Maniacs - a segunda estréia de editora de quadrinhos em dois meses. O álbum é muito bem cuidado, com impressão nítida – direta dos originais digitais da Image – e material bônus. Que Invencível abra o caminho para a HQM – e quem mais se dispuser a lançar quadrinhos de qualidade.

Invencível tem formato 16x24 cm, 120 páginas em papel couché, capa cartonada com orelhas e reserva de verniz e pode ser comprada por R$ 25 até 30 de abril – saiba mais aqui.

Publicado originalmente no Sobrecarga em 05/04/06.

Tá aí uma HQ cujo o único compromisso é divertir. Só podia ser mais barata - até pq a molecada público-alvo gasta menos e não tá muito ligada em edição de luxo.

segunda-feira, 3 de abril de 2006

Não se é Rei por pouco

Primeiro, os grandes esforços para superar o TOC.

Depois, discursos mais firmes e consistente e cruzeiros temáticos, reafirmando a condição de ídolo.

Agora, Roberto Carlos inicia a última - e talvez a mais difícil - etapa: superar, com todo respeito e carinho, a fossa de Maria Rita. E o Rei arranjou um belo suporte: Luciana Vendramini, um dos mais belos seres a pisar nesta Terra.

Já Luciana mostra uma evolução: após anos de casamento com Paulo Ricardo em sua fase de cantor romântico genérico, parte para o original.

As informações são da Quem.

Reading & Leeds

Pearl Jam e Muse no mesmo festival. Sem comentários.

Primal Scream, Placebo, Audioslave e The Subways. Mais sem comentários ainda.

E eu já vi shows de todos estes, hehehe

Pequenos Milagres

I believe in miracles/ I believe in a better world for me and you

Will Eisner conta sempre a mesma história. E, quando não conta a mesma história, vai à mesma fonte, com os mesmos elementos. Isto não é ruim, muito pelo contrário. É incrível a capacidade de Eisner de revirar sua Nova Iorque do passado e tirar dali novas narrativas. Pequenos Milagres, último álbum lançado do mestre pela Devir, volta à sua infância nos quarteirões judeus da Big Apple do início do século XX. Com alguns milagres a mais.

Os milagres são uma desculpa de Eisner. Desculpa para misturar causos da vizinhança com histórias da tradição oral judaica – os meinzas, como explica em seu belo prefácio. Com simplicidade, não se preocupa em diferenciá-los.

Pequenos Milagres
traz quatro contos, que variam em tamanho e grau de inocência. Enquanto Mágica de Rua ocupa poucas páginas para mostrar uma pequena malandragem, O Anel de Casamento se espraia por quase metade do álbum para contar uma melancólica história de amor, com personagens secundários revelando as nuances do bairro – tipos italianos mesclados com os judeus; o “Vale das Sombras”. E Um novo garoto no quarteirão transporta para a metrópole o antigo conto alemão de Caspar Hauser.

As páginas em sépia não utilizam separações entre os quadros (em sua maioria). A história flui fácil – analisar o storytelling de Eisner é covardia – com um ar de nostalgia bem vinda. A capa do álbum é um amalgama das histórias – e, único escorregão da edição, não é muito nítida. Pequenos Milagres foi lançado originalmente em 2000, dentro de uma série de trabalhos para a DC Comics.

Quatro simples e belas histórias de Will Eisner. Como se precisasse de mais.


Pequenos Milagres
tem formato 25x19 cm, capa cartonada com aplicação de verniz, 110 páginas e custa R$ 27.

Publicado originalmente no Sobrecarga em 03/04/06.


Nada como juntar Will Eisner com Ramones.

domingo, 2 de abril de 2006

"I will make you hurt"

Hoje, eu machuquei alguém.

(Quem acompanha isto aqui, sabe que eu falo pouco da minha vida, apesar da descrição lá em cima. É por achar que há assuntos mais interessantes. E é para me proteger. Porém, alguns dos mais belos textos que já li tratavam de assuntos particulares da vidas dos autores. Não quero ser presunçoso, mas se eu não me inspirar nos melhores, vou me inspirar em quem? Um preço a se pagar para ganhar a identificação do leitor. A evasão consentida de privacidade, como diria a srta. Cotton - que, se descobrir que foi citada aqui, rirá muito. Mas muito menos usarei isso aqui para passar recados. O recado já está dado.)

Voltando à primeira linha, hoje eu machuquei alguém. Pessoas machucam as outras. Mais uma vez, para se proteger. E, às vezes, para evitar uma dor maior.

You could have it all
My empire of dirt
I will let you down
I will make you hurt
If I could start again
A million miles away
I would keep myself
I would find a way

Nine Inch Nails, Hurt. Uma das mais belas canções que vi serem executadas ao vivo.

Acabou que o parênteses ficou maior que o assunto original...

sexta-feira, 31 de março de 2006

Lou Reed disse que Iggy Pop é o completo corpo do rock

Esta é a completa cara do punk: Marky bagaceiro Ramone. Um sobrevivente. Literalmente.

Lovecraft

Criatura maior que o criador

Lovecraft
, que a Devir lançou na última Bienal Internacional do Livro de São Paulo, tem prefácio escrito por John Carpenter, cineasta responsável por clássicos como Fuga de Nova York, Aventureiros do Bairro Proibido e outros filmes em que Kurt Russel desce o braço. Não por acaso. Carpenter faria misérias com a história de Lovecraft – e, não por acaso 2, a história foi escrita por Hans Rodionoff, um dos seus roteiristas auxiliares.

A obra bate mais uma vez na tecla da maior criação de H. P. Lovecraft, o Necronomicon. Maior criação porque extrapolou as obras do escritor: já apareceu em contos de outros autores, nos filmes da série Uma Noite Alucinante, nos games de Alone in the Dark e nas letras de diversas bandas de metal – saiba mais lendo aqui. A sacada de Lovecraft foi jogar a criatura para a vida do criador: H. P. tornar-se o portador do Necronomicon, o que fundamenta a sua carreira literária e inferniza a sua vida.

Já que Rodionoff era inexperiente em quadrinhos, um sujeito tarimbado adaptou o roteiro para arte seqüencial: Keith Giffen, o criador do Lobo. Para as tintas, o argentino Enrique Breccia
foi uma escolha bem acurada. Alterna o traço a lápis mais certinho para os momentos de “vida real” com aquarelas bem delirantes para os “sonhos” de H. P. Tem talento para criar bichos esquisitos – talvez herança de sua passagem peloMonstro do Pântano – e sua maneira de desenhar todo mundo com cara de assustado combina bem com a história. A edição bem cuidada da Devir, em papel couché no miolo, colabora.

Como personagem, H. P. é bem interessante e inseguro, assombrado pela sua admiração por Edgar Allan Poe. A ambiance da Nova Iorque do início do século XX é agradável, com a participação de vários sujeitos malditos na época, e hoje cultuados, como Harry Holdini (que também foi escritor) e Robert E. Howard. Uma boa palha sobre a formação editorial dos Estados Unidos, e como esses sujeitos tinham que ralar por uma miséria.

Após o início poderoso, a trama cai e flui meio arrastada, pesadona. E um pouco previsível. No final, uma sugestão desagradaria em cheio os fãs do escritor. Mas fica só na sugestão. Falando nos fãs, as muitas referências fazem a sua festa, e só a deles (e talvez aos fãs do Batman, que descobrem de onde saiu o nome Asilo Arkham). Lovecraft acaba sendo uma obra para iniciados na magia negra de Lovecraft. O que não é pouco, mas não é para todos.

Texto originalmente publicado no Sobrecarga em 27/03/06

quarta-feira, 29 de março de 2006

Charles Barkley





Charles Barkley foi ao David Letterman falar sobre o novo volume de sua auto-biografia (!). Lá pelas tantas,

Letterman: Ouvi que você gosta de jogar. Você vai muito a Las Vegas?

Barkley: Sim. Gosto. Já estive lá algumas vezes. Talvez vezes demais...

Letterman: E a sua ex-mulher andou falando sobre isso. O que você acha?

Barkley: (
Silêncio de alguns segundos) A pensão dela sempre foi entregue; nunca atrasou. Eu quero saber quantos rebotes ela já pegou para poder falar essas merdas!

Barkley não joga mais, mas continua quebrando tudo.

segunda-feira, 27 de março de 2006

Tributo a Legião Urbana

Bah!

Deviam ouvir o próprio Renato Russo - "temos nosso próprio tempo - deixá-lo em paz. Provavelmente, ele morreria de vergonha disto. E de diversas outras coisas que fez.

E. R.

15h13 – Em um ataque do meu time, Jesus – o melhor repórter de rádio com nome bíblico da Tijuca – chega junto na marcação. O jogo está 4x4, e no computo total de partidas está 2x2. Era o tie-brake, e aquela a chance de fazer a jogada da semana. Tento dribla-lo, mas, em uma pedalada falsa, piso na bola literalmente. Caio com todo o peso do meu corpo sobre o pé esquerdo, e urro de dor. Não há mais condições. Fim de jogo. Time do Weiler vence por W.O. Jesus não teve culpa alguma. Não desta vez.

17h53 – O América vai tomando, justamente, um 3x1 do Americano. E a dor do meu pé só aumenta, junto ao tamanho dele. Hora de ir ao hospital.

18h35 – Emergência do Copa D’or. O menino do meu lado olha curioso. Crianças choram na pediatria. Um gordinho reclama dos rins. E Faustão anuncia o emocionante reencontro do único sobrevivente de Falcão com o MV Bill. A Globo começa a defenestrar todo o bom trabalho feito no domingo anterior.

18h42 – Um médico de ascendência turca me atende. O sobrenome e o nariz não negam. Confirma que não deve ter fissurado nada, mas manda tirar uma chapa por desencargo de consciência.

19h – Sala de Aclimatação, ou algo semelhante. Anderson, o rapaz da minha frente, também está com o pé inchado após jogar bola. Com o cachorro. Eu, pelo menos, enfrento humanos. Michele está com seu belo rosto cortado. O médico a chama para tomar a antitetânica. Ela faz a cara de dor por antecipação e sai. Sem opção, olho para a LCD acima da minha cabeça. Faustão está bajulando o sobrevivente do Falcão, este abraçado ao MV Bill. O secretário de alguma coisa do Estado do Rio diz que o maior culpado nesta situação é o usuário. Faustão manda a sua equipe devassar a vida do rapaz. Sua irmã aparece na tela. O rapaz começa a chorar. MV Bill começa a chorar. Não sei como eu não chorei.

19h12 – Entra uma senhora chorando, amparada por uma enfermeira. A enfermeira começa a orar, dizendo que os médicos farão o possível, e que o impossível fica para Jesus. Começa a orar em voz alta. Respeito a dor da senhora – até porque desconheço a razão – mas aquele é um hospital particular e laico. Eu pago para não ter que ouvir oração. Volto-me à TV. Faustão anuncia que o rapaz será aconselhado por “um patrimônio da cultura nacional, um verdadeiro cidadão brasileiro: Caetano Veloso”. Enfermeira, não tem cloreto de potássio dando sopa por aí, não?

19h25 – Caetano não está mais no vídeo. Faustão passa um trecho de Falcão, em que o rapaz, com tarja preta no rosto, diz sonhar um dia ser palhaço. Beto Carreira surge, oferecendo vaga no seu circo para o rapaz. Marcos Frota também liga, com o mesmo intuito. Faustão diz que o rapaz será, um dia, o maior palhaço do Brasil.

Pode ser. Mas quem foi o maior palhaço do Brasil naquela tarde foi MV Bill. Após a lição do domingo anterior, em que tinha mostrado como usar o poder de penetração da Globo em prol de sua causa, se curva ao sensacionalismo e o sentimentalismo barato do Faustão.

Eu sou chamado para a sala de raios-X. Faustão anuncia a final de A Dança dos Famosos, com Oscar Schimidt e Alexandre Pires entre os jurados. Quem sabe um dia MV Bill não integrará a banca?

Em tempo: luxação do tornozelo esquerdo. Sete dias de molho com tala de gesso.

domingo, 26 de março de 2006

Bendito o dia em que Ricardo Kotscho saiu do governo

E nos deu a possibilidade de ler coisas belas como esta.

Bem faz Kotscho, que mora em SP e aproveita o RJ. Seria bom se todos fizessem isso. E vice-versa.

Da mesma fonte: Os Bórgias segundo Manara. O primeiro volume tá aqui do meu lado, se coçando para ser lido. Mas tenho que fazer uma resenha do último Eisner lançado antes - o que não é exatamente um problema.

Avante, Vingadores!

Ta bom, o título é bem clichê. Mas faz tempo que o lema não era gritado com orgulho. Afinal, a maior equipe da Marvel andava mal das pernas há muito – ao ponto dos próprios cabeças da editora reconhecerem e chamarem Brian Michael Bendis para colocar ordem na casa. Após a arrumação inicial de A Queda, em que a Feiticeira Escarlate despiroca e provoca o fim da equipe, chegamos ao que realmente interessa: os Novos Vingadores.

Ao ser incumbido da missão, Bendis deve ter listado os problemas da equipe. Em uma das primeiras posições entrou membros sem carisma. Seguindo o exemplo da DC, que coloca seus principais figurões na Liga da Justiça, sujeitos do naipe de Triatlo e Jaqueta Amarela foram devidamente defenestrados. Também um efeito colateral do sucesso de Os Supremos - que provara que uma mistura de personalidades instáveis era bem mais interessante.

Capitão América e Homem de Ferro são os únicos remanescentes. Convocaram-se Homem-Aranha – pela primeira vez fixo em uma equipe; vejamos como vai funcionar – e Wolverine – vejamos também como Logan vai se dividir entre X-Men e Vingadores – para chamar leitores. A preferência do autor colocou Luke Cage na parada (também o “afro-americano da vez”, para evitar dor de cabeça). O ponto misterioso fica pelo tal de Ronin, que só aparece na capa. E, nos resgates, Jessica Drew, a Mulher-Aranha - “a primeira e a melhor” – e o Sentinela, lá dos idos de Jack Kirby, definido por Matt Murdock como o mais poderoso de todos os super-heróis.

Não, o Demolidor não entrou na equipe. A trama pouco avança em relação ao epílogo de Vingadores: Finale. Ao estilo Bendis, avança para trás. Murdock e Foggy estão na Balsa - a unidade de criminosos superpoderosos da prisão da Ilha Ryker – a pedido de Reed Richards, e tendo Jessica como anfitriã. Contratado por alguém não-revelado, Electro invade a cadeia e solta os detentos. Aranha e Capitão aparecem para segurar as pontas.

David Fincher, efetivado como desenhista após A Queda, tem um traço claro e entende de anatomia (a própria capa da revista mostra que isto não é padrão). Pescou bem a maneira como Bendis “arrasta o tempo” e repete os quadros. No entanto, tem um problema com faces – todo mundo é muito igual.

Há um erro bizonho na página 15, em que um helicóptero some no quadro seguinte. Mas a grande pisada de bola é a conversão de três páginas duplas em simples, na vertical. Tira muito do impacto do discurso do Electro quando liberta os prisioneiros, por exemplo. Uma decisão inevitável, já que a revista tem que ter 100 páginas. Mas, se Vingadores é o carro-chefe, poderiam ter colocado alguma das outras séries para pagar o pato.

Falando nelas, outra estréia no gibi: a nova fase de Capitão América. A revista americana foi zerada, e a diretriz era mais ação e menos do teor político que a série tinha ganhado após o 11 de setembro. Dito e feito. O roteirista Ed Brubaker e o bom desenhista Steve Epting trazem Caveira Vermelha, Sharon Carter e I.M.A. de volta. Mas renovados com um ar anos 00 e uma trama de espionagem.

E o recheio da revista é todo do Thor. O leitor cai direto no meio de Ragnarok, saga que encerra a série regular do personagem, comandada por Michael Avon Oeming – chapa de Bendis desde os tempos de Powers. Loki acha a forja que criou o Mjolnir e produz diversos martelos semelhantes, assinando diversos deuses. Após uma jornada espiritual, Thor compreende que ele deve morrer para interromper o ciclo de destruição. Uma história arrastada, que deve agradar somente aos fãs. Mas um final digno para o Deus do Trovão – até que alguém resolva tirá-lo da geladeira. Conclui na próxima edição.

A estréia dos Novos Vingadores e outras sagas vindouras, como House of M, são um esforço da Marvel para dar maior unidade ao seu universo – sem precisar de Crises. O mix de Os Novos Vingadores ficará mais amarrado em abril, quando Jovens Vingadores - série bem elogiada nos Estados Unidos – estrear. E só para não perder a oportunidade: Avante, Vingadores!

Publicado originalmente no Sobrecarga em 24/03/06

Hqs de super-heróis são infantis, pueris e toscas. Mas me divertem tanto!

Santana enguiça

Carlos Santana é uma fênix. Resgatado do ostracismo pelo produtor Clive Davis – que teve a idéia para a fórmula guitarrista mexicano + astro pop no álbum Supernatural, de 1999 – retornou às paradas de sucesso com um dos discos mais vendidos daquele ano. Mas, sobre um palco, Santana celebra outra ave: a pomba. Branca e simbolizando a paz, ela aparece diversas vezes ao longo da noite acompanhada de uma grande ladainha ecumênica que se espalhou pela Praça da Apoteose, no último sábado.

OK, pode ser um preço a se pagar para assistir um dos sobreviventes do Woodstock. Mas, infelizmente, esse tipo de discurso não foi o único elemento modorrento da apresentação. A qualidade e a criatividade de Santana estão acima de qualquer suspeita. Mas, com 40 anos de carreira, já devia ter sacado como fazer um show mais ágil, melhor amarrado – e menos morno.


A disparidade entre a fase atual e o passado de Santana poderia atrapalhar. Não foi. O set-list equilibrava sucessos recentes com música antigas. E uma das maiores dúvidas na nova geração de fãs foi seguramente respondida: Andy Vargas, cantor que acompanha a turnê, é versátil o suficiente para substituir os convidados que não puderam comparecer. Bem fiel em Maria, Maria. E se sai melhor que Rob Thomas em Smooth.


Vargas integra uma banda responsa de nove músicos, com destaque para o baterista Dennis Chambers e o baixista Benny Rietueld – tanto que os dois ganham um momento solo no palco, em que Rietueld tocou uma inesperada versão de Romaria, de Renato Teixeira, mais conhecida na voz de Elis Regina. Foi a segunda canção brasileira da noite: pouco tempo antes, Santana já tinha encaixado trechos de Aquarela do Brasil no meio de Samba pa ti.


Bom, se a banda é boa e o repertório eficiente, o problema está no astro principal? Parece blasfêmia, mas sim. A mistura de guitarra com salsa e ritmos caribenhos envelheceu mal. Os solos, tirando um ou outro, são longos e cansativos. Parece discurso de líder latino-americano.

Não que não tenha tido pontos altos. Soul Sacifice – cuja apresentação no Woodstock aparece no documentário que ganhou o Oscar – foi uma das mais rápidas. Oye como Va, do rei do mambo Tito Puente, pôs todos para se mexer, e contou com fraseados de Owner of Lonely Heart, do Yes, e Sunshine of your Love, do Cream, para alegria dos coroas. Black Magic Woman veio misturada com Gypsy Queen. E, para fechar, a sacaninha Evil Ways.


Set List:


1 – Jingo

2 – I am Somebody

3 – Love of my Live

4 – Africa Bamba

5 – Victory is Won

6 – Concerto/ Maria, Maria

7 – Foo Foo

8 – Samba pa Ti

9 – Batuka/No one to Depend on

10 – Incident at Neshabur

11 – Wishing It Was

12 – Spiritual/ Yaleo

13 – Solo de bateria e baixo

14 – Black Magic Woman / Gypsy Queen


Bis


15 – Soul Sacrifice

16 – Smooth/Dame tu Amor

17 – Corazón Espinado

18 – Evil Ways

Publicado originalmente no Almanaque Virtual em 19/03/06

You got to tell me your evil ways, baby...

sexta-feira, 24 de março de 2006

Não!

O servidor apagou todos os meus links ao lado. Saco. Vai dar tanto trabalho recuperar que desanima.

domingo, 19 de março de 2006

Homem-Aranha em árabe

Pela primeira vez, histórias do aracnídeo no idioma de Maomé. Uma editora licenciada da Marvel distribui em 13 países do Oriente Médio a partir deste mês. Serve como boi de piranha: se der certo, X-Men, Quarteto e Hulk serão lançados.

Inshala!

***

Debate nerd no orkut.

Nerd 1: Por que o Peter Parker tá sempre ruim de grana, se ele é casado com uma modelo internacional?

Nerd 2: Porque a Mary Jane gasta tudo sem que o Peter - e os leitores - vejam. Casamento é a ruína do homem.

He he.

sexta-feira, 17 de março de 2006

Homer, o filósofo

Fala em um episódio que acabei de assistir:

"Quando uma mulher diz que está tudo bem, é porque está tudo errado. Quando ela diz que está tudo errado, é porque está tudo errado mesmo."

Remember, remember, the 5th of November



V de Vingança, tal qual Clube da Luta, consegue ser um blockbuster anarquista - apesar dos dois serem bem distintos.

O filme ataca - o verbo é este mesmo - EUA, Tony Blair, perseguição religiosa, perseguição sexual e defende terrorismo. Sinistro ver isso saindo da Warner.

A adaptação é muito fiel à essência da graphic novel. Fizeram muitas mudanças, mas funcionam bem. E atualizaram muitas coisas - frases como "Ao destruir um prédio, você também destrói um símbolo - e pode mudar a História" não estão lá a toa.

Poderoso.

O Jabor vai adorar falar mal.

quinta-feira, 16 de março de 2006

Michel Gondry

Michel Gondry dirigiu Brilho Eterno de uma Mente sem Lembrança, o último filme vindo de roliúde para qual o termo "revolucionário" pode ser apontado (e o troço ainda é uma história de amor), mas não estou preocupado com isso - e nem Gondry. O diretor francês está finalizando outro filme bem distinto, para o qual não sei o nome, mas envolverá sonhos mais uma vez. Gondry poderia ter escalado Natalie Portman para atuar ao lado de Gael Garcia Bernal - tenho quase certeza que Natalie Portman trabalhará um dia com o diretor - mas o fato de, enquanto namorados, Bernal tê-la chifrado com uma brasileira enquanto promovia Diários de Motocicleta no Rio deve ter influenciado. Gondry preferiu ser patriota e chamou Charlotte Gainsbourg para o filme. Charlotte é filha de Serge Gainsbourg, meu cantor preferido da chanson française dentro e fora dos palcos. Os dois geraram polêmica na França quando, sendo pai e filha, atuaram em um filme como um casal. Gainsbourg morreu em 1992, mas é tão relevante que foi lembrado pela Nação Zumbi no show que vi em Paris, quando executaram Je t'aime non plus, música mais célebre do cantor, e cuja versão poderia facilmente ter entrado aqui.

PS: Não sei como "linkar" com o texto acima, mas Os Paralamas do Sucesso já tocaram no Bozo.

PPS: Também não sei como "linkar", mas they're taking the hobbits to Isengard.

Mega Déti

O Megadeth, uma das minhas bandas toscas preferidas, promoveu uma revitalização visual de seu mascote, Vic Rattlehead - bons tempos em que todas as bandas tinham mascotes - em um concurso. Quem ganhou foi o polonês Michal Loranc com esta singela imagem.

Ainda sobre tosqueira:

-
Prodigy no Skol Beats! Dia 13 de abril no Sambódromo (sic) do Anhambi, em São Paulo.

- O
Alice in Chains tocou em um programa da VH1 com, tchan tchan, Phil Anselmo nos vocais. Caralho! Tocaram Them Bones e Would? e parece que funcionou muito bem. Quando vai vazar pra net?

quarta-feira, 15 de março de 2006

Oasis em Bs As

Não fui. Mas Márcia Lima foi.

Show de rock na Argentina é impressionante. Os caras não assistem, torcem. Digo por experiência própria - e olha que eu vi uma apresentação duma banda meia-bomba como o Helloween.

Ótima a homenagem a Don Diego.

terça-feira, 14 de março de 2006

Verde que te quero verde

Eva Green já como a nova Bond Girl. Como disse o Bertolucci, a francesa é tão bela que chega a ser indecente.

Tìtulo de jornal

"Polícia fecha o camelódromo da Uruguaiana

Investigação de mais de um ano apontou indícios de pirataria e cobrança de taxas ilegais de vendedores"


A polícia precisou investigar "mais de um ano" para achar indícios de pirataria na Uruguaiana?

Millencolin: o fino hardcore que veio do frio

É realmente grave a crise no setor da aviação: parte da bagagem do Millencolin se perdeu nas conexões entre Suécia e o Brasil, o que obrigou a banda a tocar com uma guitarra emprestada e fez o guitarrista Erik Ohlsson soltar cobras e lagartos sobre uma já combalida companhia aérea nacional. Quem não teve muitos problemas para voar os diversos fãs, alçados pela banda - e com a ajuda dos seguranças que os arrancavam do palco do Claro Hall, na última sexta-feira.

Olhando assim parece igual a qualquer show de hardcore. Não exatamente. O Millencolin vem elaborando, desde o antepenúltimo disco, Pennybridge Pionners, a complexidade do seu som. O baixista e vocalista Nikola Sarcevic disse que inspirou em Johnny Cash para parir o melódico Kingwood, álbum lançado no ano passado que a banda veio mostrar aqui. Talvez por isso tenha causado estranheza empunhando um violão em Duckpond, no meio da apresentação.


Os mais puristas resmungam. Alguns fãs antigos também – se bem que era difícil de achá-los, já que uns 70% do público devia ser menor de idade. Nem vendia cerveja na casa da Barra. Ainda assim, não puderam reclamar com a seqüência The Ballad, Bullion, Penguins & Polar Bears e Black Eye. Nem com Mr. Clean no primeiro bis.


A molecada que se matava nas rodas pode não ter percebido, mas o som estava incrivelmente nítido para um show de hardcore – mais uma prova do aprimoramento da banda. Sarcevic canta de forma clara, e Ohlsson até que se virou bem com o instrumento emprestado. Uma apresentação bem competente e ensaiada dos quatro suecos – coisa fina para o estilo.


Set-List:


1 – Kemp

2 – Fox

3 – Man or Mouse

4 – Farewell my Hell

5 – Botanic

6 – Cash or Clash

7 – Duckpond

8 – Ray

9 – The Ballad

10 – Bullion

11 – Penguins & Polar Bears

12 – Black Eye

13 – Loozin Must

14 – Material Boy

15 – Olympic

16 – 120 Norr

17 – No Cigar


Primeiro bis


18 – Mr. Clean

19 – Moose Mans

20 – Pepper


Segundo bis


21 – Leona

22 – Dance Craze

Publicado originalmente no Almanaque Virtual em 13/03/06.

A foto é do micronista Mario Cascardo.

domingo, 12 de março de 2006

Midas às avessas

Fui sair com o meu carro e o pneu furou. Ainda na garagem.

Fui à casa da minha irmã e peguei o carro dela emprestado. Na Lagoa-Barra, o câmbio virou um joão bobo e parou de funcionar. Horas esperando o guincho perto do posto Mengão, em companias nada agradáveis.

Eu inutilizei dois carros em uma só noite. A festa que eu ia foi cancelada. O jantar de aniversário que eu tinha foi cancelado.

Tem dias que não devem acontecer.

Pelo menos, vi um grande show da Vanessa da Mata. Grande potência vocal aliada com segurança, tranquilidade no palco e um bom repertório. Ótima em Eu sou Neguinha. Assombrou com uma versão quase a capella de Tempo Perdido, da Legião. Só não precisa ter cantado Ai Ai Ai duas vezes. Bela - e charmosa - cantora.

PS: Rodrigo Amarante passou na frente do meu carro. Deu uma vontade de acelerar...

sexta-feira, 10 de março de 2006

Máquina delicada

A Máquina, de João Falcão, é um filme belo. Um realismo fantástico meio Ariano Suassuna. Ótimas atuações – o elenco é quase o mesmo de quando a peça na qual o filme é inspirado estrondou no Teatro Casa Grande, incluindo a trupe baiana que depois debando para a Globo (Lazaro Ramos, Vladimir Brichta,...) – mas Gustavo Falcão, como mostrara na peça, consegue destoar. E a Mariana Ximenes muito bonitinha.

Ótima montagem, ótimas brincadeiras – até com o merchandising e com um vídeo clipe – e uma bela forma de se contar uma história. Às vezes, vale enfrentar tudo por um amor. Nem que seja em realismo fantástico.

Minha saída mais satisfeita de um cinema neste ano.

Traidor do movimento

Paulo Jr. cortou o cabelo. Realmente, o metal está morrendo.

No fundo da foto, Roy Mayorga, o baterista que substituirá Igor na turnê européia do Sepultura.

quinta-feira, 9 de março de 2006

Stadium Arcadium

Capa do novo Red Hot Chili Peppers. Achei fraca.

Um trecho do novo
single, Dani California, pode ser conferido no site oficial. Estou sem fone no trabalho, não dá para tecer opiniões ainda.

Este blog está cheio de imagens hoje.

"The book is on the table"

Quem disse que a frase nunca é usada?

Notas Musicais


- Novo single do Pearl Jam para baixar de graça em bootlegs.pearljam.com

- Blog de uma maluca mexicana que acompanha a turnê do Gathering pela América Latina: homelandstour.blogspot.com

- O Moptop vai abrir pro Oasis em São Paulo. Os quase 15 mil ingressos já estão vendidos. A estrela sobe.

- Acabo de assistir uma matéria na MTV sobre como o Japinha do CPM 22 idolatra o Kiss. Tornou-se mais respeitável.

- Falando em MTV, quando você acha que eles tomaram jeito, surgem Kênia e Keila.

quarta-feira, 8 de março de 2006

O seu dia não poderia terminar pior quando...

... você come carne de terceira comprada para o cachorro por engano.

segunda-feira, 6 de março de 2006

O gol do Gathering

O filme de terror "Botafogo x Cabofriense", na quarta-feira de cinzas (apropriado), foi medíocre, mas contou com uma conclusão genial: o gol de voleio do Dodô. Sérgio Noronha disse ao vivo que foi um dos gols mais bonitos que ele já viu.

No dia seguinte, Fernando Calazans corroborou Noronha em uma coluna intitulada O gol do Dodô, afirmado que ele não é nenhum garoto, já viu muito futebol, então a frase tem outro peso.

Eu não quero me comparar com o Noronha nem com o Calazans - até porque acho os dois chatos - mas eu já vi pra lá de 300 shows na minha vida, dos mais variados estilos, em diversos pontos do planeta.

A apresentação do The Gathering foi uma das melhores que já presenciei.

Jogando uma pá de cal numa discussão que tive com amigos sobre êxtase técnico versus emocional em música, atacaram pelos dois flancos. Tenso e intenso. E com uma simplicidade incrível. Fazia muito tempo que eu não via um show tão redondo. E que eu não me sentia tão feliz com música.

O sujeito de alguns posts abaixo, Corto Maltese, é celebrado por ser o dono de seu próprio destino. Na infância, ao descobrir quer não tinha a linha da vida nas mãos – o cara é filho de cigana e leva isso a sério –, pegou uma faca e a traçou. Ele escolheu.

O Gathering fez mais ou menos a mesma coisa. Foram uma banda de metal, abriram a cabeça e se tornaram algo difícil de definir – como se precisasse. Mas meter uma lâmina na palma da mão não é algo agradável: ainda são vistos como um grupo de metal – deixando claro que não renegam o passado, tocando músicas dos primeiros discos no show –, como as camisas pretas na platéia denunciavam, mas eu coloco meus CDs do Gathering junto aos do Radiohead, do Muse e do Placebo na minha estante.

E esta incerteza talvez seja uma das razões para pouco mais de mil manés assistirem o show. O Gathering não faria feio em um palco de Free Jazz. Mas são vistos como banda de metal. O paradoxo é que, se não fossem o povo de chifrinho na mão, eles não viriam.

Enfim, eu vi um show improvável que nunca esquecerei, e que valeu cada milímetro percorrido para São Paulo – São Paulo por si só já vale, mas essa eu conto depois.

Set-List para quem se interessar:

1. Liberty Bell
2. Even The Spirits Are Afraid
3. Shortest Day
4. In Between
5.
Analog Park
6. Saturnine
7. Probably Built In The Fifties
8. Broken Glass
9. In Motion #1
10. Eléanor
11. A Noise Severe
12. Souvenirs
13. Travel

***
14. On Most Surfaces
15. Strange Machines
16.
Black Light District

Otto

Só pode ser ele.