quarta-feira, 1 de março de 2006

Tavela Bloco Awards 2006

Carnaval no Rio foi muito legal, mas está na zona limítrofe do agradável. Os blocos têm ficado muito cheios. Mesmo os menores podem ficar incômodos no ano que vem. Vamos a lista:

Mais democrático: Cordão do Bola Preta (sábado). Até pela posição geográfica - Centro - e pelo horário - manhã de sábado -, o que propicia a ida das mais diferentes figuras. O que também ocasiona muita bagunça e muita gente feia.

Mais florido: Se melhorar, afunda. Não pela quantidade, mas pela proporção. Niterói, como sempre, mostra a que veio.

Melhor bloco ruim: Carmelitas (sexta). Cheio e espremido nas vielas de Santa Teresa. Porém, lá de longe, barganhando cerveja com os ambulantes, foi bem divertido. Sexta talvez tenha sido o melhor dia do meu carnaval.

Melhor decepção: Luma de Oliveira. Não ela, mas o fato d'eu não ter conseguido avistá-la no Bola Preta.

Figuraças da semana: O Negão Fantasiado de 101 Dálmatas no Bola Preta, o Velhinho Fudido pelo INSS no Que merda é essa e o Diabo/Falcão do Se melhorar, afunda.

Menção Honrosa: Empolga às 9. Mas no sábado. De domingo, foi ruim.

Carnaval off: MTV. Só passou clipes - como deveria ser. Até Dr. Feelgood, do Mötley Crüe, rolou. E eu me diverti.

Pior do carnaval: a espuma escrota. Pelo terceiro ano consecutivo.

Melhor bloco, mais divertido e melhor samba: Que merda é essa? Impagável. Juro que, se eu lembrasse a letra, a reproduzia aqui. E ainda tinha Cintra por R$ 1 (essas coisas que você só faz no carnaval...).

terça-feira, 28 de fevereiro de 2006

Só existe uma coisa mais deprimente do que assistir desfile das escolas de samba em uma noite de carnaval

Assistir desfile das escolas de samba de São Paulo em uma noite de carnaval.

Com todo o meu preconceito.

domingo, 26 de fevereiro de 2006

U can't read this!

Ia dar uma retificada no modelo do blog, quando o blogspot dá o alerta: Interesting blog - MC Hammer.

Leitura assaz interessante.

PS: Como nem só de música ruim a gente vive, o Gathering já disponiblizou Shortest Day para download no site oficial.

sábado, 25 de fevereiro de 2006

Una Ballata del Mare Salato

Para quem nunca leu Corto Maltese, mas tem alguma noção da relevância do personagem, parece muito estranho – e genial – a maneira com que Hugo Pratt o apresenta: nada de embate heróico ou salvamento da pátria. Corto chega boiando em um pedaço de madeira, amarrado após um motim no seu barco. Era mais ou menos assim que os fãs do marinheiro estavam se sentindo no Brasil: à deriva.

A Balada do Mar Salgado é a primeira aventura de Corto Maltese. É também o primeiro álbum que a bem-vinda Pixel Media lança para singrar no mercado brasileiro de quadrinhos. Chegaram com banca: além da bela escolha para a estréia, prometeram acabamento de luxo, preços honestos e um tratamento diferenciado ao leitor brasileiro de quadrinhos, que já foi muito esculachado.

Sem papo de pescador: A Balada... - que já tinha saído por aqui no longínquo 1983, pela LP&M - tem toda a pompa necessária. Formato igual aos originais europeus – até na Itália já lançaram versões reduzidas, para baratear –, impressão clara, papel brilhoso de qualidade e dois artigos, bem semelhantes, onde ficamos sabendo que Corto já ganhou biografia em romance, que Pratt vem da mesma cidade que Fellini e que Hector Babenco já pensou em levar o personagem para o cinema.

No melhor estilo “meninos, eu vi”, o grande diferencial de Pratt é a representação dos cenários, que conheceu pessoalmente, e complementava com pesquisas. Nutria uma simpatia especial pelo Pacífico Sul, local que escolheu para inaugurar Corto Maltese. As práticas e culturas dos povos estão ali, bem como a arquitetura, as embarcações e os tipos humanos. Uma verdadeira viagem, no sentido clássico do termo. Um National Geographic sem ser enfadonho.

Pratt faz as diversas luzes do dia no preto-e-branco chapado do nanquim – coisa de quem já ficou muito ao ar livre e entende bastante de lápis. A diagramação das páginas é bem regular – salvo um boca-a-boca inventivo no final do álbum – mas o autor alterna super-closes com imagens distantes – principalmente nas ações passadas no convés. Seu traço, que explora as texturas – os transados de palha típicos–, ficaria ainda melhor depois.

A trama é um tanto quanto irregular; parece que você pegou o barco andando. Os personagens são meio jogados, para serem descobertos ao longo do álbum (ou não). Há algumas coincidências demais, compensadas pela amplitude de assuntos tratados – que vão desde detalhes técnicos sobre pirogas até a geopolítica da época e autodeterminação dos povos polinésios. E Corto Maltese parece aquele seu novo grande amigo: bacana, e que vai demonstrando sua complexidade ao longo do tempo.

Se Una Ballata del Mare Salato - no título original – ganha quatro raios, a Pixel fica com cinco por entrar tão bem em um mercado que, aos trancos, vai amadurecendo (compare a quantidade de lançamentos de hoje com cinco anos atrás). E, na concorrência com outras editoras que já vêm fazendo um trabalho legal, quem fica na maré mansa é o leitor.

A Balada do Mar Salgado tem 180 páginas e preço sugerido de R$ 33. Um preview pode ser baixado no site da Pixel.

Publicado originalmente no Sobrecarga em 23/02/06.

Mal posso esperar pelos próximos álbuns. Corto Maltese é um prazer.

Na pesquisa, esbarrei com esta boa crítica do UHQ, da edição antiga do mesmo álbum. Capa horrenda. E, olha só, Ed Motta compôs uma Balada do Mar Salgado para o Dwtza, um de seus discos esquisitões. Não gostei. Não acho que traduza o clima da história. Tire as suas conclusões na Rádio UOL.

Só melhora

Natalie Portman na capa da Vogue americana de março, pós-careca de V de Vingança.

Como ela consegue ser tão gracinha de tantas maneiras diferentes?

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2006

Liqui

A Checklist do Shopping da Gávea estampou o temo liqui (sem trema) pela vitrine.

Fica incrivelmente refinado perdo dos sale da vizinha Eclectic.

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2006

Capote

Seymour Hoffman

Philip Seymour Hoffman é um operário que trabalha pelas beiradas. Escolado em teatro – formado pela NYU, dois prêmios Tony na estante -, tem história como personagem de apoio em Hollywood.

Impulsionado pelo diretor Paul Thomas Anderson (Magnólia), que o coloca em todos os seus filmes, chama a atenção dos mais atentos por fazer – bem – diferentes tipos. Travesti e legendário crítico musical são algumas encarnações do ator. Porém, parece que Hoffman cansou de ter seu nome aparecendo em terceiro ou quarto nos créditos. Tornou-se produtor, escolheu um papel na medida para prêmios e é o rei da cocada preta em Capote.

O filme é um drama “meio” biográfico e o ator vive um personagem real. Bons pré-requisitos para um Oscar – e os Bafta e Globo de Ouro de Melhor Ator corroboram. A produção é um recorte da vida de Truman Capote, um dos maiores escritores americanos, enquanto prepara sua obra máxima, A Sangue-Frio.

Ao passar cinco anos esmiuçando um crime brutal, porém não exatamente relevante, Capote criou o romance de não-ficção, gênero literário inovador que entraria no pacote do Novo Jornalismo de Gay Talese, Tom Wolfe e outros.

Em belos planos de trigais, Capote mostra o requintado jornalista habitante de Nova Iorque – mas nascido no Alabama – indo ao interior do Kansas, onde a família Clutter foi assassinada. A idéia inicial é apresentar como o crime abalou a comunidade, mas quando os assassinos são capturados, Truman Capote passa a dedicar-se quase que exclusivamente a eles. Mais exatamente, a Perry Smith (Clifton Collins Jr.), com quem desenvolve uma relação de identificação e atração. Smith é sua contraparte toda errada. Na definição do filme, é como tivessem sido criados na mesma casa, só que Capote saiu pela porta da frente, e Smith, pelos fundos.

Capote acerta por não ser uma biografia, mas a história de uma pesquisa. E por mostrar como o processo consumiu o escritor – que nunca mais terminou um livro e morreu em decorrência do alcoolismo, em 1984 – e como ele mandou a ética às favas para sorver tudo o que precisava. Catherine Keener ganhou a indicação para Atriz Coadjuvante, mas, honestamente, não mostra trabalho para tanto. Talvez seja o carisma de sua personagem, Harper Lee, que auxiliou na pesquisa de Capote e escreveu O Sol É para Todos, livro adorado por muitos.

A atuação de Hoffman é um diferencial, principalmente pela pesquisa e o grau de “entrega” do ator. Quando não estava gravando, Hoffman mantinha a voz afinada e os trejeitos que desenvolvera para o personagem. Tem também a ajuda do roteiro, adaptado da biografia escrita por Gerald Clarke. Sua primeira aparição – como centro das atenções em uma festa – é bem definidora. Mas, na segunda metade do filme, recua um pouco para que Collins Jr. possa fazer um bom trabalho como Smith. Hoffman sabe a importância de um ator coadjuvante; já esteve lá muitas vezes.

Publicado originalmente no Sobrecarga em 23/02/06

Xerife Thompson

Informação bacaninha que li em uma reportagem de turismo hoje: em 1970, Hunter S. Thompson se candidatou a xerife de Aspen, cidade em que morou até se matar, no ano passado.

Perdeu por 200 votos.

Terça-Feira, 18h16

Foi esta a hora que a Prefeitura decidiu fechar metade da Rua Pacheco Leão, principal artéria viária do Horto, para repintar a faixa de pedestres.

Não sei como a Globo não deu piti...

Deve ser piada do Alcaide.

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2006

É por essas coisas que eu sinto saudades da Europa

Será realizado numa cidadezinha perto de Munique. Oportunamente, no meio da Copa do Mundo (se a gripe do frango deixar que ela aconteça).

E qual é dessa logo "carta de seqüestro" do Metallica?

terça-feira, 21 de fevereiro de 2006

Ufa!

Não é Rodrigo Amarante o parceiro de Marisa Monte em suas novas canções, e sim outro Rodrigo.

Tópicos para o U2

- Bono pinta o cabelo. E está ficando careca.

- O show da turnê anterior era muito mais redondinho.

- Engajamento demais é enfadonho.

- Zeca Camargo é enfadonho.

- A legenda tem sérios problemas com a tradução de tempos verbais.

- Bono faz muita firula. Acaba enfadonho.

- Achei seriamente que o Lula ia aparecer no final. Mas a campanha foi boa (para ele).

- No show que eu fui, eles tocaram Hold Me, Thrill Me, Kiss Me, Kill Me.

- A inveja é uma merda.

PS: Ontem, antes do show, as bilheterias do Morumbi e do Pacaembu vendiam ingressos, inclusive para estudantes. Parece que há uma lei que obriga a venda na hora do evento. Piada de irlandês a organização dessa vinda do U2...

PPS: As pessoas são rápidas. E invejosas: http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=8838692

domingo, 19 de fevereiro de 2006

Rolling Stones no futebol carioca

Flamengo - Miss you. Saudades do tempo em que o CRF era um time de verdade.

Fluminense - Waiting on a Friend. Sempre dá a expectativa de que é uma coisa, que vai chegar a algum lugar, mas decepciona no final.

América - Street Fighting Man. Guerreiro bravo e solitário.

Vasco - Out of Control. Define como é organizado o time de São Januário. Também é um obscuro single de um disco mais ou menos. Porque ninguém se importa com o Vasco de verdade.

Botafogo - Satisfaction. Um clássico que emociona através dos anos. Mas também é sempre a mesma coisa, sem inovar. Há um quê de Gimme Shelter também, porque aquela defesa é brincadeira.

sábado, 18 de fevereiro de 2006

Simplesmente amor

Consegui terminar de assistir Simplesmente Amor (Love Actually), filme que assistia a prestações no Telecine. Foi um estrondoso sucesso na Inglaterra, emocionando várias pessoas com dentes amarelados. Entre diversos motivos, destaco dois que os ingleses anseiam mas não encontram na realidade.

1 - um rockstar honesto, direto e politicamente incorreto. Que verve para humor do Bill Nighy.

2 - um primeiro-ministro que não seja um bundão, nem capacho de ninguém. Que aja de acordo com a imponência e importancia do velho UK.

O rockstar, pelo menos, ainda pode surgir.

I'm feeling in my fingers/ I´m feeling in my toes...

Wild Horse

Em algum lugar deste verão, chegará às telas de cinema Stoned. O filme é fraquíssimo; uma biografia da morte do Rolling Stone Brian Jones. Mas um dos trunfos de Stoned é jogar uma luz sobre Anita Pallenberg, a ítalo-germânica que se insinua para Jones nas sombras, enquanto o guitarrista foge das fãs em Munique. Para quem acha Marianne Faithful desconcertante, conheça Anita.

Anita é interpretada pela louraça belzebu Monet Mazur – sim, o nome dela é Monet –, que não fez nenhum filme que preste na vida. Mas Monet funciona bem em Stoned. Talvez por viver uma mulher que se deitou com três Stones. E que deixou os três de quatro.


Jones foi o pioneiro – como em muitas outras coisas entre os Stones. Como mostrado no filme, conheceu Anita. Ou melhor, foi conhecido. E, como também é mostrado no filme, Anita que apresentou várias substâncias que favoreceram seu lado criativo – mas que também foram seforam riativo do pancado - mas sconcertante, conheça Anita.us algozes. Em retribuição, Jones compôs as músicas para Degree of Murder, filme alemão em que Anita vive uma assassina – ela tomaria gosto pela coisa.


Em na sua loucura cada vez mais hermética, Jones deixando Anita de lado. A deixa para que Keith Richards entrasse em cena. Cuidou bem de Anita. Ficaram casados por dez anos, entre 1967 e 1977 gerando três crianças.


O casamento com Richards favoreceu que Anita dividisse as telas com Mick Jagger em Performance, psicodélica produção de 1970 em que o cantor meio que interpreta ele mesmo, em uma convivência forçada com um gângster londrino. Acabaram dividindo também a cama.


Deve ser um ponto delicado da tempestuosa relação Richards/Jagger.


Após o casamento com Richards, Anita cansou. Com o encaretamento do mundo na década de 1980, tornou-se estilista e crítica de moda – relevante, com artigos publicados na Vogue. Manteve algumas contribuições nas telas, mas nenhuma próxima de seu auge: Anita viveu a Rainha Negra em Barbarella. Dizem que o que Jane Fonda faz na tela não nada perto do que Anita fez nos bastidores.


E para quem pensa que a contribuição de Anita aos Stones é meramente sexual – como se isso fosse pouco –, um adendo: dizem as escrituras que Anita Pallenberg é a musa inspiradora de Wild Horses, uma das mais belas canções dos Rolling Stones.


Anita não era para ser domada.


Publicado originalmente no Almanaque Virtual em 16/02/06


Eu adoro escrever sobre mulheres fantásticas; é uma das melhores coisas para se fazer com elas.

Stoned

Como um Rolling Stone. Mas da pior maneira

Os Rolling Stones se apresentam somente em uma noite no Brasil, mas parecem que já estão aqui, e em todos os lugares. Chegam também aos cinemas. Stoned – A História Secreta dos Rolling Stones (Stoned, 2005) é, na verdade, a história de somente um deles: Brian Jones, o doidaraço guitarrista original da banda, encontrado morto na piscina de sua mansão dias após ter sido desligado do grupo, em 1969.


A música pop não seria a mesma sem suas lendas, e o mito de Jones é tópico de discussão há décadas entre os fãs dos Stones. O laudo oficial indica morte por afogamento após ingestão pesada de álcool e drogas – e, sendo Jones quem era, uma possibilidade deveras plausível. Porém, há versões que o louro foi assassinado. Até a CIA entra na parada. E é em cima de uma delas que Stoned trabalha.


O filme é centrado nos últimos três meses da vida de Jones (Leo Gregory, bem parecido, e com bom figurino), e na estranha relação que desenvolveu com o empreiteiro Frank Thorogood (Paddy Considine, o alter-ego de Jim Sheridan em In America), responsável pela reforma de sua casa. Praticante do amor livre, legítimo representante da época em que sexo, drogas e rock’n’roll não eram uma falácia, Jones causa fascinação e asco em Thorogood. O construtor machão, que perdeu um olho lutando pela Rainha em guerra, não sabe se o ama, o odeia ou se quer sê-lo. E Stoned transforma os últimos dias de Brian Jones em O Talentoso Ripley. Previsível, no mínimo.


Os poucos pontos altos do filme são os flashbacks do início dos Stones e do relacionamento de Jones com Anita (Monet Mazur), sua namorada ítalo-alemã monumental, depois surrupiada por Keith Richards (Ben Whishaw). Os outros Stones mal aparecem, e quando o fazem, fazem mal. Mick Jagger (Luke de Woolfson) é nulo. A cena da demissão de Jones é constrangedora, ainda mais com o clipe musical logo em seguida.


A música incidental é piegas, dando uma atmosfera de dramalhão. A trilha sonora é composta pelos blues que influenciaram Jones, sem músicas dos Stones – que não devem ter liberado os direitos. A direção de Stephen Wooley (estreante como diretor, mas experiente como produtor, já tendo no currículo outra biografia de banda, Os Cinco Rapazes de Liverpool) é retrograda. Parece da época em que a banda estava explodindo. Stoned parece um Rolling Stone, mas pelos motivos errados: quer parecer moderno, mas a embalagem é antiquada.


Só falta agora filmarem a transfusão de 100% do sangue de Keith Richards.

Publicado originalmente no Almanaque Virtual em 16/02/06.


Pra quem está com preguiça de ler: outro filme horrível. Como transformam a vida do Brian Jones nisso? E eu preciso selecionar melhor minhas cabines. Pelo menos, o cartaz é legal.

Fora de Rumo

Cantada barata

Na primeira parte de Fora de Rumo, Clive Owen e Jennifer Aniston iniciam uma conversa sedutora.

Aniston: "Que tipo de nome é Schine (sobrenome do personagem de Owen)? Judeu?"
Owen: "Rabínico. Mas sou filho de mãe católica. Tenho todos os tipos de culpa..."

O tipo de frase canalha e engraçadinha, lançada para enrolar uma mulher. Mais ou menos o que Fora do Rumo tenta fazer: enrolar o espectador. Só que a cantada é muito barata.

Charles Schine é um homem estagnado profissionalmente, com um casamento morno e uma filha doente. Até que conhece a economista Lucinda Harris (Aniston), também casada e meio frustrada, no trem que pega diariamente para Chicago. Carne nova no pedaço parece ser o que os dois precisam. O relato do affair é enfadonho, mas entretém. Até que o filme dá uma virada, e se você espera alguma surpresa de Fora do Rumo, pare de ler por aqui.

Philippe de LaRoche, personagem de Vincent Cassel, interrompe um momento íntimo do casal para um assalto. Espanca Schine. E estupra Lucinda. Como se não bastasse, segue fazendo chantagem sobre o publicitário.

Pode até parecer uma premissa interessante, mas não funciona. Os golpes armados por LaRoche são muito pueris. As armações têm buracos maiores que os cadáveres do filme. Você olha aquilo e pensa que não pode ser sério.

Outro problema são as atuações inconstantes. De um lado, Owen, que sempre dá nuances diversas aos seus tipos, e, em menor grau, Cassel, que é bom ator, mas que está caricato demais como o bandido francês. Do outro estremo, os rappers salada de letras Xbizit e RZA, que vivem eles mesmos. E, exatamente no meio, Jennifer Aniston, mais sóbria – até pelos cabelos mais escuros -, se livrando do ar apatetado de Rachel, mas que não tem a dualidade do personagem. E o filme tenta pegar leve com ela no final.

A enrolação podia até funcionar melhor, se a história não começasse em uma prisão. Você fica sempre se perguntando: “Ok, quando é que vai dar m...?”. O roteiro, baseado no romance de James Siegel, é bem preguiçoso. E o diretor sueco Mikael Håfström estréia em Hollywood com um trabalho bem água com açúcar.

Na medida em que o tempo vai passando, o filme vai descambando cada vez mais. Empurrado pela obviedade.

Publicado originalmente no Sobrecarga em 14/02/06

Para quem está com preguiça de ler: o filme é horrível.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2006

Não, Dona Marisa

Marisa Monte compôs com Rodrigo Amarante para seu disco novo.

E eu pensando que Os Tribalistas eram o fundo do poço...

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2006

E hás de ser/ Nosso imenso prazer

Mesmo com um primeiro tempo daqueles. Mas, se não tem sofrimento, não é Botafogo. E faz tempo que essa frase não fazia sentido. Oito anos, para ser exato.

Porém, o melhor mesmo foi ir no jogo com o meu pai, que só vai ao Maracanã em ocasiões muito especiais - quem viu Paulo César Caju, Jairzinho, Garrincha e Manga jogando não vai prestigiar quaisquer mequetrefes.

Na última vez que fomos juntos, foi também a última vez que o Botafogo ganhou algum título - final do Rio-São Paulo contra o SPFC, em 1998. Além de tudo, o velho é pé quente.

Poucos amigos meus conhecem meu pai. Ele é bem mais velho do que a média, pelo menos entre os amigos da minha idade - 73 anos. Ainda assim encarou um mochilão por França, Alemanha e Itália comigo. Foi fundamental para acertamos nossa relação - que, na verdade, nunca terá um acerto final. Ela vai se acertando ao longo dos anos.

E, por ter um pai mais velho que a média, passo por um processo que a maioria dos meus amigos só passará daqui a alguns anos: quando seu pai vira seu avô. Ele está se tornando um bom velhinho. Mas é campeão. Em vários sentidos.

Crédito das fotos: jornal O Globo.

PS: Parabéns para o América, que lutou até o final. Coisa de time grande.

domingo, 12 de fevereiro de 2006

Nada como uma noite de Luxúria

Luxúria engoliu o decepcionante show do Barão Vermelho ontem, na Fundição (aliás, está pra nascer local mais desconfortável e com som ruim).

É uma das duas bandas do ano - já digo qual é a outra. O CD tá redondinho, produzido por um ex-produtor do Pantera (o nome fugiu agora). O baterista é um cavalo, já tendo cobrido férias do Igor no Sepultura.

E Meg Stock é demoníaca no palco (com licença, Bethânia). Viva o
Meu Amor Imprerecível.

A foto é do show do Humaitá pra Peixe. Crédito: Joca Vidal.

sábado, 11 de fevereiro de 2006

Você sabe que suas férias estão muito longas quando...

... você se programa para assistir Egito vs. Costa do Marfim, final da Copa da África. 0x0 no tempo normal, 4x2 pro Egito nos penaltis.

A Costa do Marfim foi garfada.

A Caixa de Areia do Mutarelli


Choque de Realidade

Por mais fantasiosa que seja a História em Quadrinhos, ela é baseada na realidade que cerca seus autores. Por mais que trate de deuses nórdicos, Japão Feudal ou Zona Negativa, o dia-a-dia exerce influência. Mas encarar este cotidiano diretamente pode ser uma viagem mais transcendental e distante que todas as outras. E esta é a proposta de Lourenço Mutarelli e seu A Caixa de Areia ou Eu Era Dois em Meu Quintal, lançado pela editora Devir.

O álbum é uma tentativa desesperada de capturar a realidade. Não é uma autobiografia. Não trata de um grande momento específico. Só dias corriqueiros de Mutarelli, sua esposa
Lucimar, seu filho Francisco e do gatinho Nanquim. Uma invasão consentida de privacidade, que também se revela uma bela homenagem à família do autor, mas que exige muito do artista para enfrentar tal exposição.

Mutarelli recorre a vários artifícios para aprisionar e entender esta realidade: amigos, Schopenhauer, Platão, Lewis Carroll, Pieter Brüegel, fotografias, metalinguagem, memória. E, principalmente, a uma narrativa paralela, com dois narigudos dentro de um carro quebrado no meio do deserto. Os capítulos se alternam entre a história da família Mutarelli e as discussões de
Carlton e Kleiton, para serem chocadas de forma magistral.

O autor dá uma aula de como mostrar o silêncio em HQ em um dos capítulos com a dupla nariguda. Enche de detalhes os objetos comuns da sua casa, facilitando a identificação. Além de muita ironia, dá alguns toques de surrealismo, com bonequinhos falando. É a sua forma de interpretar a realidade.


Da ponta de um lápis, pode sair qualquer coisa. Este é um dos maiores baratos dos quadrinhos. Mas narrar o cotidiano também pode ser a maior aventura.


A Caixa de Areia
tem formato 21x13,8 cm, lombada quadrada, 144 páginas em preto e branco e preço sugerido de R$ 25.

Publicado originalmente no
Sobrecarga em 10/02/06.

Fiquei muito feliz com este texto. Simples e instigante. Bom. Fazia um tempo que isso não acontecia.

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2006

Slackers: Ska in Rio

Grupo nova-iorquino se apresenta no Rio e lança o debate: por que tão poucos shows de ska na cidade?

Em dado momento do show realizado no Teatro Odisséia no domingo, 29 de janeiro, alguém fala do palco:

“Blablablá e temos que batalhar para mais eventos como esse no Rio de Janeiro. Aliás, acho que um show como esse é inédito...”


Foi quando a ficha bateu: seria a apresentação dos nova-iorquinos do Slackers o primeiro show de uma das grandes bandas de ska no Rio? Toasters e Mighty Might Bosstones já passaram pelo país, sempre longe do território fluminense, na tenebrosa época em que cariocas tinham que se deslocar para SP ou BH para assistir alguns artistas gringos.


(Isso parece estar mudando, com o reaquecimento da economia. U2 não veio por uma questão estrutural – e de negociação; já o Gathering, que toca só em São Paulo no dia 3 de março, é mesmo a velha (in)viabilidade econômica que os afasta do Rio. Mas Santana, Millencolin e Helloween vêm neste início de ano.)


Voltando a vaca fria do ritmo jamaicano, o exílio carioca do ska torna-se ainda mais curioso porque uma das bandas referências do assunto no país vêm do Rio. Os Paralamas do Sucesso têm até música nomeada Ska e, por mais que não sejam “ska de raiz”, usam e abusam da levadinha rápida na guitarra e do naipe de metais. Já até dividiram palco com uma das bandas que mais fizeram pelo gênero, mesmo também não sendo “ska de raiz”: o UB40 – que tocou no Rio em algum lugar da segunda metade da década de 1990, talvez o último show carioca de ska.


A questão torna-se ainda mais curiosa pelas bandas de abertura. O La Bamba tocou um medley de marchinhas de carnaval – Aurora, Maria Sapatão, por aí – vertidas para o ska. E o Coquetel Acapulco apresentou uma ótima versão de Vou festejar – de Jorge Aragão, Dida e Neoci, mas que todos conhecem na voz da Beth Carvalho. Duas músicas (ou coletivo de músicas) bem cariocas, e que funcionaram muito na nova roupagem. E os dois grupos são representantes de diversos outros que se dedicam ao ska pelo underground da cidade já há alguns anos.


A própria vinda dos Slackers só se construiu, claro, com uma passagem em São Paulo – duas apresentações no festival Sons de uma noite de verão, no Sesc Pompéia – em uma jogada aparentemente arriscada, mas que acabou dando certo. Usando a indumentária típica – com destaque para a elegância do vocalista e trombonista Glen Pine, o mais carismático no palco – os nova-iorquinos provaram porque são uma banda basilar. A noite contou ainda com uma apresentação do trovador Chris Murray e da banda de reggae Firebug.


Mesmo sendo uma casa de médio porte, o Odisséia estava bem lotado. Público, percebe-se que existe já há anos. Parece que falta mesmo é colocar as bandas no palco - e agora que o Madness lançou disco novo e já está em turnê, fica mais fácil.


Publicado originalmente no Almanaque Virtual em 07/02/06.


Vem cá: nos dois sabemos que este texto ficou uma bela merda, não? Amanhã entra um sobre o Stoned bem melhor.

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2006

Esclarecimentos (agora escrito corretamente)

1 - O filme do Freak Brothers é stop-motion mesmo. Uhu. E rola o boato furado que Jack Nicholson, Peter Fonda e Dennis Hopper fariam as vozes. Bom, porém muito improvável.

2 - Daniel Gotilla mandou uma explicação gigantesca sobre como o negócio da Fon tem dias contados. Em resumo, tem ligação com a cobrança de banda larga, que não é padronizada nem aqui, nem em nenhum local do mundo. E não é tão simples assim chegar a um padrão. E ninguém vai querer pagar autruísticamente pelos outros.

Freak Brothers em filme

Primeira imagem de divulgação de Grass Roots. A nota de onde tirei não exclarecia, mas parece ser stop-motion.

Now I wanna be your dog!

Iggy Pop na Trip!. Os comentários sobre Deus e Barra da Tijuca são ótimos.

As melhores idéias são as mais simples

Fon e seu compartilhamento de Wi-Fi na coluna do CAT.

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2006

Um francês

Conversei com um francês em uma festa na sexta. Após ser apresentado por uma amiga, o papo foi mais ou menos assim:

- Prazer. Você é da onde?

- Paris mesmo. Mas estou morando em Londres. Kensington Park. Na verdade, sou metade francês, metade brasileiro. Gosto de passar as férias aqui. Mas, quando tenho vontade, venho também para um final de semana. Gosto da simplicidade carioca...

- Bom. Eu passei um tempo em Paris.

- Onde você morou?

- No 20ème.

- Putz. Que nojo! Morar no 20ème? Que horror!

- Eu gostava. Você tem casa onde lá?

- No 16ème. Morava na Etoile. Mas 20ème. Que horror... Bom, quais eram os clubes que você gostava?

- Ia muito na região da Bastille e...

- Nossa! Que pobreza! Ai...

- Eu gostava, porra! Adorava o Le tripityque e ia, às vezes, no Le Loco...

- La Loco! Mas que mau gosto o seu! Você não ia nos clubes da Etoile?

- Não. Não gostava. Não eram na minha alçada.

- Triste.

- Bom, vou dar uma volta.

- Isso. Depois a gente conversa mais.

- Prazer.

- Prazer.

Caramba! Que saudade da arrogância e da soberba francesa! O pior é que, depois que você entende a lógica dos caras, respeita, admira e até sente falta.

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2006

Judi Dench...

... foi considerada 'velha demais' para os talk show americanos.

Adoro picuinhas anglo-americanas.

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2006

Seth Fisher

Faleceu hoje em Nagoya, no Japão, o desenhista Seth Fisher. Considerava o cara muito promissor. Uma pena. Mais tarde, entra nota no Sobs sobre isso. Por enquanto, vai o site oficial do cara.

Sobre ausência

Chegada de viagem + um computador explodido foi o que me tornou um excluído digital por alguns dias. Resolvi da maneira mais radical: comprei um novo.

Mas não quero falar sobre o que fiz nesses dias agora. Vou falar do que vi essa tarde.

Enquanto instalava meu XP, assistia pela janela um avô ensinando seu neto a andar de bicicleta sem rodinha no play do vizinho. Foi muito bom ser espectador de um momento que, para os dois, será eterno. E foi uma das melhores coisas que vi este ano.

sábado, 28 de janeiro de 2006

Rápida impressão de São João Del Rey

Ainda bem que a minissérie do momento é JK, em vez de Tancredo. Eta povinho que adora um presidente mítico. No caso, um quase presidente.

terça-feira, 24 de janeiro de 2006

Joaquim José da Silva Xavier

Parto hoje para assistir uns filmes lá na casa do Alferes. Esse blog ficará às moscas, mas, quando der, dou notícias.

Até domingo.

segunda-feira, 23 de janeiro de 2006

Domingo, eu vou ao Maracanã...

Reabertura do mais mítico palco do futebol brasileiro, e, para os que não foram, adianto que a reforma é, basicamente, imperceptível. Ficou concentrada no reforço da estrutura, porque os penicos em que você senta continuam os mesmos, as mudanças nos bares foram poucas e as áreas de circulação, pelo menos, não têm mais poças de mijo. Lá em baixo, o deserto que já foi a geral.

(Não, não fui aos banheiros).

Dentro de campo, festa digna do Maraca. Com oito gols, duas viradas e Romário mais perto do gol mil (e do duzentésimo no estádio). Comentários:
  • Fazia muito tempo que eu não via o Botafogo tão bem taticamente. Viva Carlos Roberto.
  • Ruy é raça. Se está correndo assim com três meses de salário atrasado, imagina se recebesse em dia.
  • Zé Roberto e Lúcio Flávio têm tranquilidade e a habilidade. Só falta acertarem mais (passes e chutes).
  • Romário sempre merece muito cuidado e respeito. Virado da Cabofolia, meteu três gols. E, para a corrida pelos mil, podem até computar o quarto gol anulado.
  • Não se enganem pelo placar. O Botafogo precisa de alguém para empurrar a bola lá pra dentro. Será Dodô?
  • Fábaiano não joga nem no meu time reserva de botão.
  • É especialmente prazeroso ganhar de uma equipe presidida por alguém como Eurico Miranda.
***
No pós-jogo, dei um pulinho no ensaio do
Coquetel Acapulco, banda da ilustre Luisa Baeta. Aquecendo para a abertura dos Slackers, domingo que vem, mostraram um ótima versão de Vou Festejar, que todo mundo conhece na voz da Beth Carvalho. O Coquetel abriu uma ponte bem interessante entre ska e marchinha de Carnaval. É só se manter o mais longe possível de Los Hermanos.

Obs. - crédito da imagem: jornal O Globo. Não informava o nome do fotógrafo.

sábado, 21 de janeiro de 2006

Há cinco anos, encontrava Deus

Ontem, completaram cinco anos do show de Neil Young no Rock in Rio III,

Hey, hey, my, my/
Rock'n'Roll can never die

Sim, será o caos

Dia de São Sebastião e shows de graça na praia. Por razões geográficas e de praticidade, escolhi Lulu Santos na Praia de Copacabana ao invés de Skank no Aterro do Flamengo. No campo da preferência musical, deu empate técnico. Ao contrário do esperado, o trânsito não estava tão nó - pelo menos, pela minha percepção de ciclista. E o público estava dividido, o que não superlotou a praia.

(E poucas coisas sao mais clássicas de verão carioca do que show de Lulu na praia. Já vi uns quatro).


Fato assimilado e esquecido por mim antes, a abertura seria feita pelo Eletrosamba. E a banda do DJ Negralha e do percussionista Wellington não faz feio. Não faz feio mesmo. Electro e drum'n'bass em doses homeopáticas pops, misturados com samba e outras coisas - Que beleza, do racional Tim Maia; Macô, de CSNZ + elmo. Sr. Ministro da Cultura do Brasil, e boas músicas próprias.Pra variar, as "músicas de trabalho" são as mais fraquinhas. Tocaram o tema de A Diarista bem quando estava atravessando a rua. Odeio virar pipoca.

Falem mal de Lulu Santos, que ele está ultrapassado, se incomodem com seu jeito. Mas o cara consegue botar 40 mil pessoas para pular; quase todos cantando suas músicas. E, mesmo após 20 e tantos anos, suas músicas conseguem se encaixar nas nossas vidas. Bela banda, bem afiada. Logo na segunda música, manda o medley das "inevitáveis" - Toda forma de amor, O último romântico e etc., com a abertura funk do álbum Eu & Memê, Memê & Eu. Músicas novas bem interessantes, como Domingo maldito e um baião cujo o nome esqueci. E uma entrada em cena ao som de Cavalgada das Valquírias, de Wagner. Digno de Black Sabbath. Mas o melhor mesmo é a nova versão eletrôncia de Tempos Modernos.

Uma noite de poucos problemas, mas que serviu de premissa pelos poucos problemas. Rolling Stones - ou o arraStone - será o caos.

quinta-feira, 19 de janeiro de 2006

Do http://www.gathering.nl


03/03/2006 Brazil Sao Paulo Olympia

HPP

Minha credibilidade como habitante do underground carioca estava seriamente abalada por não ter ido ainda no Humaitá pra Peixe este ano. Verdade seja dita, das amostras do site e do que já eu conhecia, somente a Céu, O Jonas Sá e o Maranhão tinham me atraído. Mas acabei fazendo outras coisas nos dias de suas apresentações.

Ontem começou com Cidadão Instigado, grupo de samba/metal/experimental/guitarra com distorção lá em cima/efeitos de teclado/vocoder liderada por um cearense chamado Fernando Catatau, como informa o esperto zine do festival. Povo gritando "gênio" na platéia. Rodrigo Amarante abismado, assistindo ao show. Ok, legal, mas não é minha praia.

Ela veio logo depois. Várias pessoas já tinham me falado do Luxúria. Andrea Thompson fez matéria de capa da Lab Pop com a vocalista. Meu irmão assistiu no Porão do Rock e achou foda. Um adjetivo bem exato. Roquenrou reto, sem meandros. Presença de palco. A vocalista Meg Stock arrasa. Parece um Velvet Revolver de saias. Muito bom. E sério. Chega de música esquisitinha e engraçadinha. Luxúria é algo que estava faltando.

Mais sobre eles em breve.

Aliás e a propósito

Que desse sol/
Sai pouca luz/
E pouca cor/
Pra quem conduz/

HPP Especial Som da Rua dia 02/02. Presença certa.

E amanhã tem mestre Lulu em Copa...

terça-feira, 17 de janeiro de 2006

Match Point

Nada como uma mudança de ares para oxigenar as idéias. Woody Allen foi para Londres e fez seu melhor filme em anos - segundo a crítica, já que eu ainda não vi. Mas um filme que tenha uma cena de Scarlet Johansson na Tate Modern Gallery não pode ser ruim.

Drama. Nada de Allen interpretando um personagem cheio de tiques. Nada de outro ator interpretando Woody Allen cheio de tiques. Relacionamentos reais e dolorosos. Talvez na linha de Closer. Será que Londres tem algo a ver com isso?

E por que os filmes de Allen sempre demoram a chegar por aqui?

Los Hermanos

Assisti um Dossiê Sportv sobre jogadores estrangeiros que atuam no Brasil. incrível como Petkovic e Tigre Ramirez já são mais articulados em português do que Júnior Baiano, Aldair e Roberto Carlos, entre outros.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2006

We3

Animais Irracionais

We3 trata de uma equipe formada por um cachorro, um gato e um coelho transformados em ciborgues assassinos pela Força Aérea dos Estados Unidos. É o segundo time mais importante da edição especial lançada pela Panini. O primeiro é formado por Grant Morrison e Frank Quitely. A parceria entre os dois escoceses nunca esteve tão afiada. E We3 é o melhor trabalho da dupla já publicado no país.

São diversos os pontos altos do gibi, mas o primeiro que, literalmente, salta aos olhos é a diagramação. Quitely – com os devidos palpites de Morrison – parece o Ronaldinho Gaúcho: quando você acha que sabe exatamente o que ele irá fazer, te surpreende com algo diferente. O ritmo imposto pelos dois é impressionante, sabendo instigar o leitor. As primeiras 20 páginas não tem balões, e nenhum dos personagens é mostrado nitidamente nelas. São revelados aos poucos. Outro momento embasbacante é a fuga dos animais, em que Quitely usa seis páginas com imagens de câmeras de segurança – vale citar a arte final digital de Jamie Grant aqui – para criar várias narrativazinhas paralelas, culminando em uma
splash page. Se alguém não entendeu o que Scott McCloud quis dizer, eis um bom exemplo.

Um recurso parecido é usado nas cenas de ação – área que, como quem acompanhou Novos X-Men sabe, Quitely domina muito bem – entre os bichos e os soldados, no segundo capítulo. Pequenos quadros enfocam diferentes momentos do ataque, com um resultado bem violento. E o ápice vem em um ataque do gato, nas páginas 52 e 53, em que a noção de quadro é subvertida, com o felino em uma dimensão diferente de suas vítimas. Nada como uma quebra de convenções para tirar o fôlego.

Tanto Morrison quanto Quitely estudaram bem os animais encarnados em seus personagens. O desenhista traduz com fidelidade a movimentação deles, mesmo com suas carapaças metálicas. E o escritor incorporou em suas personalidades características típicas de cada bicho. O cão é fiel; o gato é arisco; o coelho, apaziguador. Lembra até fábula de La Fontaine, mas quem convive com animais sabe bem como é isso.

A edição da Panini, que chegou às bancas quase com um mês de atraso, é bem cuidada. Capa cartonada, papel couché, capas originais reproduzidas, sem anúncios, e um desnecessário subtítulo SBTriano - Instinto de Sobrevivência - condizem com o termo edição especial. Há ainda uma pequena biografia e bibliografia dos autores. Não há prefácio, ou textos introdutórios, mas não precisa. Tudo o que We3 tem a dizer está dentro da história. E é a primeira vez que a editora publica material da Vertigo. Que a experiência dê certo.

Para quem chegou até aqui achando que o clímax de We3 está nos desenhos, Morrison dá show de simplicidade e ternura sobre três bichinhos que só buscam ser algo condizente com a sua natureza. A velha questão sobre livre-arbítrio para ser o que quiser, tratada fora dos clichês. E ao centrar a história em um cachorro, um gato e um coelho, Morrison fala mesmo é de gente. Da pior espécie.

We3 tem 116 páginas e vale cada centavo dos R$ 18,90 cobrados.

Publicado no Sobrecarga em 16/01/06.

Fazia muito tempo que eu não tinha uma catarse lendo HQ
.

sábado, 14 de janeiro de 2006

A Esquila Assassina & partículas aleatórias

A genial Roberta Nadalutti está contando o que se passa na sua transferência para São Paulo em http://assassinsquirrel.blogspot.com/ - in english, para que o povo da UCSD possa contratá-la para lecionar por lá. Nunca duvidei dessa menina, mas ela sempre consegue me surpriender. Google. Já sei quem contactar quando quiser invadir o Gmail de alguém.

Partícula aleatória I: Sábado passado, eu vi o mesmo João Bosco em duas partes diferentes da cidade.

Partícula aleatória II: Acabo de queimar a palma da mão fazendo feijão carioquinha.

Um Sepultura cada vez mais pop

A mais conhecida banda de metal do país ainda se encaixa no gênero?

No próximo final de semana, os Paralamas do Sucesso são a atração do Oi Noites Carioca, a nova versão do festival de shows no Morro da Urca, Rio de Janeiro, um sucesso na década de 1980. O objetivo dos realizadores é atrair parte do público da época, que agora cresceu, ganhou dinheiro, e pode se dar ao luxo de pagar mais para ter mais conforto. A escolha dos Paralamas coaduna com essa idéia. Mas o convidado especial, a principio, destoa: Andréas Kisser, guitarrista do Sepultura.

Só destoa a princípio. Quem acompanha a carreira da banda brasileira mais famosa do mundo já pôde perceber uma “guinada pop” mas direções do Sepultura. Pop talvez seja exagero. Mas, fora do nicho do heavy metal, eles já estão.

Alguns momentos podem ser pontuados nessa transição. E o primeiro deles completa 10 anos agora. Roots
colocou a banda nas paradas de rádios e clipes, e é seu disco mais vendido até hoje. O segredo do sucesso veio de algumas iniciativas ousadas. O Sepultura largou alguns cânones do gênero. Assumindo o apelido “jungle boys” – garotos da selva – dado pela mídia lá fora, forma passar um tempo com índios no Xingu, encheram o álbum de percussão brasileira e, suprema heresia, chamaram Carlinhos Brown para produzir e participar de algumas faixas.

O segundo instante se foca mais na estrutura da banda do que na concepção musical: a saída de Max Cavalera. Não que sua voz gutural não fosse palatável – Roots já derrubara essa tese – mas o vocalista original sempre deu preferência aos Estados Unidos, por questões comerciais e pessoais. Tanto que seu Soulfly só deu as caras por aqui uma vez e é um grupo pouco conhecido no Brasil.

Meses após a saída de Max, os outros integrantes voltaram a morar em São Paulo – o que facilita muito a aproximação com o cenário pop nacional. Nem a entrada de um integrante gringo, o vocalista Derrick Green, atrapalhou. Até porque Green já fala português, virou palmeirense e inclusive já participou de programa humorístico da Globo.

Mesmo mantendo a base de fãs, os álbuns seguintes – Against, Nation e Roorback não alcançaram o mesmo êxito comercial que Roots. A banda continua excursionando fora do país, mas com bem menos intensidade. Em contrapartida, o número de shows no Brasil aumentou bastante, e o Sepultura passou a freqüentar festivais marcadamente ecléticos, como o Planeta Atlântida, realizado no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina, e o Festival de Verão de Salvador, na Bahia.

No som, outras influências ficavam cada vez mais evidentes. Green fez escola no hardcore, seu gênero preferido, e trouxe isso para o Sepultura. Revolusongs, EP lançado em 2002, traz um mix de covers bem variados, incluindo de Jane’s Addiction a Massive Attack. Bullet the blue sky, quase uma desconstrução da música do U2, teve belo clipe gravado nas ruas de São Paulo e que conseguiu uma boa presença na MTV. A emissora sempre foi bastante generosa com a banda, dando-os um bom espaço na programação. Além dos covers, o Sepultura também gravou músicas em parceira com O Rappa e Zé Remalho.

Por fim, no ano retrasado, os fãs do Sepultura deram a maior torcida de nariz desde Carlinhos Brown: Júnior, o irmão de Sandy, participou de uma jam session com Andréas. Na época, Andréas contou que seus filhos são fãs da dupla, e que já foram em shows. “Mas quem levou foi minha mulher. Escapei desta”.

A nova prova para os rumos do Sepultura já tem data: em março, chega às lojas Dante XXI, 11º álbum de inéditas. Se será pop, se terá êxito, saberemos depois. Mas o posto de banda brasileira mais importante do metal não parece ameaçado. Mesmo que eles tentem mudar.

Publicado originalmente no Almanaque Virtual em 13/01/06.

Este texto surgiu de papos aleatórios com Rodrigo Simas, o Pingüim. Foi quem me sinalizou primeiro essa mudança no Sepultura, que - espero que tenha ficado implícito no texto - considero positiva. A idéia original era passar a idéia para queo dito cujo fizesse o texto, mas considerações começaram a surgir na minha cabeça, e como a coluna do Almanaque estava atrasada... Janeiro é um deserto; pouca coisa acontece; temos que inventar. Mas, apesar d'eu achar que o texto poderia ter ficado melhor, gostei dele.

Ah, o fato do Roots está completando dez anos só foi percebido no meio da pesquisa . Também no meio da pesquisa esbarrei com o artigo De Mílton ao Metal: política e música em Minas (em PDF), de Idelber Avelar, apresentado no V Congresso Latinoamericano da Associação para o Estudo da Música Popular. Há alguma coisa forçada na tese, mas o autor fez uma boa pesquisa e uma boa análise dos objetos.

não deixa de ser maneiro ler uma artigo acadêmico que tenha o termo "pancadaria".

sexta-feira, 13 de janeiro de 2006

Impulsividade

Impulsividade é mais um filme-adolescente-estilão-Sundance. A delicada história de um garoto esquisitão se adaptando ao bizarro mundo ao seu redor. Agradará aos fãs de música indieImpulsividade ganha pontos por não construir muitas teses fechadas, deixando que o espectador chegue a algum lugar. Também marca pontos pelo elenco, reunindo bons atores, como Tilda Swinton, ou esforçados, como Keanu Reeves.

Reeves, inclusive, é uma das melhores e mais engraçadas coisas do filme, como um dentista-psicólogo hippie que invoca o animal do poder em seus pacientes. Segundo o diretor Mike Mills, foi o próprio ator – que dá ainda uma sacaneada em seu Neo de Matrix - que o procurou, após ler o roteiro.

A relevância da profissão do personagem de Reeves se justifica pelo protagonista. Como evidencia o título original - Thumbsucker, ou seja, chupador de polegar – Justin, o garoto de 17 anos, não deixou a compulsão em sugar seu dedo no berço, e recorre ao seu polegar sempre que se sente inseguro.

Aliás, Compulsividade seria um título mais apropriado.

Além de se livrar da compulsão, os desafios de Justin são o pai frustrado por ter tido que largar a carreira no futebol americano, as dificuldades com garotas, exclusão no colégio, qual faculdade cursar, a mãe trabalhadora e um irmão caçula.

Nada muito diferente de alguém que você conheça. O intérprete de Justin, o novato Lou Pucci, recebeu o prêmio de Melhor Ator no último Festival de Berlim, o que mostra que tem cacife para dar tintas realistas e honestas ao personagem.

O filme é baseado no romance homônimo, de Walter Kirn, lançado em 1999. Conta ainda com a participação de Vince Vaughn, como um professor, e de Benjamin Bratt, outro ponto cômico, como um ator de seriados em recuperação toxicológica.

Impulsividade tangencia um debate sobre drogas estimulantes, o que destoa um pouco o foco do filme, mas nada que chegue a atrapalhar.

Com toda a sua despretensão, o que Impulsividade melhor trata é auto-aceitação.
e pessoas que usam óculos quadrados de aro grosso. Mas

Publicado originalmente no Sobrecarga em 12/01/06

quarta-feira, 11 de janeiro de 2006

Choque de gerações


Mais uma da Thais (sem acento), minha sobrinha.

Ela: Nada para fazer...
Eu: Vamos dar uma zapeada.

Alguns canais depois, chegamos ao 43.

Ela: Ih. Lei & Ordem. Mas eu já vi esse capítulo.
Eu: É aquele seriado do Ice-T, não?
Ela: É... Você gosta dele?
Eu: Gostava dele cantando.
Ela: O Ice-T canta?

Após o desencalhe de uma fita K7 do Body Count, alguns "Coz' I'm Ice-muthafuckin-T, bitch!" e uma cara de horrorizada depois.

Ela: É... Prefiro ele como detetive...

domingo, 8 de janeiro de 2006

Cinema no domingo com a criançada é a maior diversão


Chega o envelope com o logo do Sobs lá em casa. Dois convites para uma pré-estréia de "Zathura, a nova aventura dos criadores de Jumanji!"

(Este é aquele momento em que faria aquele olhar cético que virou moda no MSN, mas não estou com vontade de procurar a tecla por aqui).

Domingão de sol. Praia clamando. A mesma praia na qual tinha passado todo o sábado, e estourado a cota do câncer de pele no final de semana. Bom, as opções para diversão gratuíta eram então Zathura ou Babado Novo no Aterro...

Pré-estréia de filme infantil. Todas as sessões em torno das 14h. A única com o filme legendado seria no Recreio, ou seja, outro município. Então, toca para o Roxy.

Opções de compania - aquelas as quais eu teria a cara-de-pau de chamar: minha sobrinha de 15 anos ("O quê? Até gostaria de ver, mas dublado eu não quero. E ainda vou almoçar com a minha avó..."), meu primo Broder ("O número chamado encontra-se desligado ou fora da área de cobertura") ou meu outro primo, sobrinho deste ("Pô, to quase zerando o Final Fantasy. Nem tô afim de ir...").

Uma sessão solitária de um filme infantil dublado em um início de tarde de domingo. Chamem os índios.

Após fazer a boa ação do dia e ajudar nas economias de uma mãe doando-a meu convite extra, adentro o frescor da sala 2 do melhor cinema de Copacabana. E eu tinha esquecido completamente como crianças podem fazer uma sessão de cinema melhor. Desde o "começa, começa" e a empolgação com trailer de A Era do Gelo 2 (Espetinho, todando Ice, Ice Baby) até os comentários sem noção durante o filme e as brigas de irmãos, tão folclóricas que poderiam estar em qualquer sitcom.

Incrível como crianças podem salvar o seu dia.

Em tempo: Zathura é uma refilmagem/continuação de Jumanji. O roteiro é o mesmo. E serve exatamente para divertir até a hora do almoço. A trama é engraçada, sem duvidar da inteligência dos adultos. As crianças agem como crianças, e não como anãozinhos. Efeitos legais. Até a lição de moral tradicional desses filmes desce bem. E tem Tim Robbins, a direção de Jon Favreau (o Foggy Nelson do Demolidor) e uma chave de cadeia chamada Kristen Stewart.

sábado, 7 de janeiro de 2006

Pratt!

Pixel estréia muito bem com Corto Maltese

Bela novidade para o mercado brasileiro de quadrinhos. A Ediouro - que começou a publicar HQs no ano passado – e a Futuro Comunicação - responsável pela PC Magazine e Herói, entre outras revistas – firmaram parceria e criaram o selo Pixel, que objetiva publicar histórias em quadrinhos de grandes autores. Começando com o pé direito, anunciaram a publicação de A Balada do Mar Salgado, o álbum mais vendido de Corto Maltese, de Hugo Pratt.

O marinheiro Maltese perambula pelo mundo na virada do século XIX para o XX. Além da trama, suas histórias se destacam pela reconstituição dos vários lugares do mundo em que se passam – incluindo a costa brasileira – e a participação de figuras históricas como Stalin e Herman Hesse. O italiano Pratt não teve uma vida menos aventureira. Tendo passado a infância na Etiópia e tendo sido preso por tropas Nazista, viveu na Argentina e em outras partes do mundo. Maltese foi um de seus últimos personagens, criado em 1965. Pratt morreu em 1995.

O Pixel promete que seus álbuns terão, em maioria, entre 100 e 200 páginas, formato grande e distribuição para livrarias e bancas especializadas. E custarão entre R$ 20 e R$ 35. Além de outros volumes de Corto Maltese, o novo selo promete Gullivera e A Metamorfose de Lucius, de Milo Manara; Coração do Império, de Brian Talbot; Madman, de Mike Allred; Thief of Always, de Clive Baker; Caçadores da Noite, de Neil Gaiman; e uma versão encadernada de Arthur, de David Chauvel e Jérôme Lereculey. E, em território nacional, O Curupira, do mestre Flávio Colin.

À medida que os álbuns forem saindo, a gente dá mais detalhes. E bons fluídos para o Pixel!

Publicado originalmente no Sobrecarga em 06/01/06.

Fazia muito tempo que a chegada de um release não me deixava tão feliz. Por enquanto, os caras estão fazendo tudo certo. Começando com um medalhão belo até chorar, por um preço bem honesto - parece que o álbum, de 180 páginas, sairá por R$ 33. Em seguida, mais coisa boa. A Gullivera do Manara saiu há muito tempo, pela Abril. Será bom ver a porralouquice do Allred sem estar podado em uma grande editora americana e o Madman sem ser em crossover (apesar d'eu adorar seu encontro com o Super-Homem). E o sempre vivo Flávio Colin, em uma álbum infanto-juvenil. Tudo de bom para a Pixel mesmo. Que dê muito certo!

Isso mostra que, por mais que a gente demore para perceber, o mercado brasileiro de HQ tem tomado bons rumos. Há somente cinco anos, era a Abril publicando super-heróis, a Conrad tímida e outros lançamentos espaçados. E, muito importante, a qualidade dos álbuns não deixa a dever em nada lá fora - depois de anos enfrentados "cousas" editadas como a minha cara. Se a Pixel manter mesmo os preços como anunciado, assustará a Conrad e a Devir, que jogam os valores lá pra cima. Bom para o mercado, bom para os leitores.

Capas de discos banidas

A capa de Amorica, do Black Crowes, é uma das maiores declarações de amor à uma pátria que eu já vi. Na listinha do Rate Your Music - clique na imagem, com cuidado - , descubra como o KMart e Wall-Mart são companias ridículas. E como Perry Farrell é ainda mais ídolo após a censura da capa de Ritual de lo Habitual, dos saudosos Jane's Addiction.

sexta-feira, 6 de janeiro de 2006

A repercussão da Virada de Rosinha

Reprodução das cartas dos leitores do Globo. A melhor é a segunda. A mea-culpa vem na última.

Como se diz por aí, uma imagem vale mais do que mil palavras. A foto do GLOBO na capa com a governadora de pernas para o ar mostra exatamente como está a vida do carioca, ou seja, de cabeça para baixo. Se não bastasse o fato de o presidente Lula não gostar do Rio, e isso é público e notório, os nossos governantes também parecem preferir outros lugares para as festas de fim de ano do que o Rio. Mas é até melhor assim: só deve ficar aqui quem realmente gosta da nossa cidade.

VALENTIM LOPEZ

(via Globo Online, 5/1), Rio

É inaceitável a foto do GLOBO que retrata a governadora do Rio de Janeiro em trajes de banho, levando-se em consideração que, como pessoa pública, deveria ter mais cautela no que tange às fotos para publicação. Cada vez mais como cidadã sinto-me na Disneylândia, melhor dizendo, em Sea World.

EDITH CASADO

(por e-mail, 5/1), Rio

Muito bonita a virada de Rosinha no Rio Formoso, em Bonito. Nada contra o cidadão de bem descansar da labuta do ano inteiro! Só que nos passa a imagem de como anda o nosso estado. A governadora vetou qualquer reajuste para o funcionalismo. São R$ 151 de salário-mínimo que ainda imperam nos contracheques do estado. E as pensionistas? Coitadas! A maioria precisa recorrer à Justiça para reivindicar seus direitos líquidos e certos. O servidor de hoje, quando falecer, terá seus beneficiários de prato na mão! Isto é o nosso estado. Sem falar no contexto geral: a falta de segurança em qualquer hora, em qualquer lugar.

MARIZA FREITAS

(via Globo Online, 5/1), Rio

A divulgação de fotos que violam a intimidade de um casal não condiz com a tradição do GLOBO que, de forma subliminar, buscou desqualificar um momento de lazer e descanso a que todos têm direito, como sendo uma forma de falta de compromisso com o Estado.

Seu dia ruim pode ficar pior quando...

Voltando de uma festa em Copacabana em uma van com destino para a Rocinha, um passageiro evangélico fica os 30 minutos do trajeto tentando converter o motorista católico. Suas principais argumentações eram que somente a sua pentecostal conhecia "a verdade da palavra", e que a Igreja Católica glorifica ídolos de barro e madeira.

Vale ressaltar a resistência dos outros passageiros.

Closer


Reassisti anteontem. Incrível como a sua percepção de um filme pode bater diferente de acordo com as mudanças na sua vida. Mas continua sendo um filme muito bom (consegue até suprimir a atuação de Julia Roberts). Minha frase preferida continua sendo "o que um coração mais se parece é com um punho fechado cheio de sangue". E Natalie Portman continua Natalie Portman.

quinta-feira, 5 de janeiro de 2006

Olha, isso é fofoca...

Mas é engraçado. Quem desejar ler a notícia, taí o link (tem que ser cadastrado).


terça-feira, 3 de janeiro de 2006

Tome nota, Frankenheimer

http://mirror.rtor.net/rendezvous20_04.mov

"C'était un rendezvous", curta de Claude Lelouch, filmado em 1976. O diretor colocou uma câmera no parachoque de uma Ferrari 275 e pediu para um amigo piloto de Fórmula 1 dirigir. Não pediu autorização para a prefeitura. O percurso começa na Porte Dauphine e vai até a Sacre Coeur.

Lelouch foi preso na primeira exibição do curta. Jamais revelou o nome do piloto (se foi o Proust, ficarei especialmente feliz)

De tirar o fôlego!

segunda-feira, 2 de janeiro de 2006

Fafá é vacilona

Fafá: Ó-quei, Sedenta, você pode até ter o que fazer nos dois primeiros jogos, mas o terceiro você vê comigo.

Eu: Beleza, Fafá. Estou na sua mão.

Fafá: Sigam-me os bons!

Fui para a mão da Fafá e acabei ficando na mão e ponto. Na hora H, ela surgiu com uma tal festinha no Leblon excluindo os compromissos anteriores. Tsc tsc tsc. É por essas e outras que a Fafá é vacilona.

Ainda bem que João Paulo e família tiveram a sensibilidade de me acolher.

2006 como 1996

Este ano, eu já ouvi os álbuns Temple of the Dog, de Temple of the Dog; Youthnasia, de Megadeth; e Blind Melon, de Blind Melon. Estou mantendo 2006 cava vez mais como 1996.