sexta-feira, 28 de abril de 2006

Estreando hoje,

o blog do Rio Fanzine. Em breve, em um link aí do lado.

Mais sobre pequenas vitórias

O Sobrecarga foi indicado pela terceira vez ao HQ Mix.

A Gullivera do Manara

Fantasia específica

Milo Manara
nunca esteve tão acessível para os leitores brasileiros. A Conrad já colocou na roda os dois primeiros volumes – de três – do magistral Bórgia, parceria com Alejandro Jodorowski, e lança agora Clic, obra que deu renome internacional ao italiano. E a Pixel Media publica Gullivera, interpretação picante do quadrinhista para As Viagens de Gulliver, livro de Jonathan Swift.

O que continua pouco acessível para a maioria dos leitores brasileiros são mulheres como as de Manara. Lindas, voluptuosas e voluntariosas. Não dá nem pra dizer que o desenhista joga sujo. Suas capas explanam a mensagem: “Sim, eu vou te pegar pelo fetiche, e não há muito que você possa fazer”. Não é para desmerecer o belo traço e sua acuradíssima noção de proporção, mas não dá para negar o apelo.


Gullivera
, lançado na Europa em 1996, trata de fantasias bem específicas: uma mulher gigantesca e, avançando um pouco mais na trama, uma mulher diminuta. E por serem fantasias específicas, agradam somente a uma parcela. Não há propriamente uma história, só a menina se envolvendo em enrascadas que justificam os delírios.

Manara é um deleite visual, sem dúvida. Mas, com uma boa trama por trás – vide o supracitado Bórgia – a experiência fica bem mais completa.

Gullivera
conta com uma apresentação de Gonçalo Júnior, quadrinhista, jornalista e autor do livro Tentação à Italiana. O álbum tem 76 páginas coloridas em papel couché, capa cartonada e custa R$ 35.

Adendo:
tem dias que o Yout
ube melhora bastante a sua vida. Confira no link um vídeo de Milo Manara desenhando.

Publicado originalmente no
Sobrecarga em 24/04/06.


Eu pensei em colocar "Punheta" como título, mas ia ficar grosseiro demais.


Micro-resenha especial para o blog: Um título mensal que acaba de se tornar 100% é este aí do lado: Os Novos Vingadores. Mesmo Thor, tradicionalmente o ponto fraco, está em uma fase leviana e divertida com aqueles três guerreiros fanfarrões. A história do Capitão América é muito bem amarrada, com ação estilo Missão: Impossível (o do de Palma), sub-plot instigante e belíssimos flash-backs desenhados pelo Michael Lark da liberação de Paris, em 1944, baseado em fotos de época. Até De Gaulle aparece. Bendis vai formatando Os Novos Vingadores, com artimanhas noveleiras em que adoramos cair. E, estreando na edição, Jovens Vingadores. Por mais que a Marvel negue de pé junto, a fonte de inspiração é, sem tirar nem por, o início dos Novos Titãs - com algumas idéias novas e audaciosas. Vale mesmo as indicações para o Eisner. Ainda mais por ser escrito por alguém que roteirizava - argh - Sex & the City.

quinta-feira, 27 de abril de 2006

Confidências no café da manhã

Minha mãe: Sabe esse técnico do Corinthians, Ademar Braga?

Eu (eu pensamentos): Por que ela tá falando do técnico do Corinthians? Aliás, esse cara é mesmo técnico do Corinthians? Aliás, como ela sabe quem é o técnico do Corinthians?

Eu (me expressando): Hum...

Minha mãe: Meu ex-namorado. Poderia ser o seu pai.

Eu (em pensamento): Meu dia vai ser horrível...

Soirée française dans le Teatro Odisséia

Show da Camille no Teatro Odisséia. Adentro o recinto e está tocanto Je t'aime moi non plus, do Serge Gainsbourg. Típico.

Boa parte da comunidade francesa do Rio de Janeiro está presente. Típico. Esses franceses parecem baianos: todo mundo ama a França, mas ninguém mora lá.

Camille é uma Bjork francesa, menos talentosa e menos competente, mas também bem menos viadinha. Poderia dizer que o show foi experimental, que foi desafiador, que foi diferente. Mas, na verdade, foi uma merda. Esses franceses acham que podem vir aqui, não tocar direito, fazer uma batucada qualquer e os
índios daqui vão adorar. Típico.

E o pior é que alguns
índios que não entendem francês ficam babando o ovo de qualquer coisa que vem de fora. Típico. Pelo menos, pagaram a vinda da moça para o país tropical. Francês adora essas coisas exóticas.

Voltei pra casa de Lambretta. Isso não foi nada típico.

Foto d'O Globo.

terça-feira, 25 de abril de 2006

Lauren Harris

É cantora com uma vervezinha pop insossa, porém que não incomoda, e lança seu primeiro disco em breve, produzido por Tom McWilliams. Lauren tocará no Download Festival, na Inglaterra, junto a nome de pesos como Metallica, Korn, Deftones, Guns'n'Roses e Alice in Chains. Boa prova.

Ok, existem várias cantoras na mesma posição, então por que dar destaque a ela? Lauren é filha do mega baixista ditador do-it-by-yourself Steve Harris, do Iron Maiden! Periga ser uma das melhores coisas que o pai já fez.

Site oficial da moça, com MP3 e imagens de show: http://www.monstroentertainment.com/laurenpictures.php

Kelly Osbourne de cu é rola.

domingo, 23 de abril de 2006

E o mundo não é mais o mesmo

O Orkut agora denuncia quem foram os cinco últimos a visitarem o seu perfil.

O que deve ter de mulher se descando...

Os verdes

Confronto

O encontro entre Lanterna Verde e Arqueiro Verde promovido por Dennis O’Neil e Neal Adams já foi dissecado pela coluna Mancha Gráfica, quando a Opera Graphica lançou as duas primeiras histórias da parceria, há dois anos. Complementando o resgate, a Panini começa agora a lançar todas as histórias conjuntas dos dois heróis esverdeados.

No texto de abertura, O’Neil encaixa a sua série no rebuliço da virada dos 1960 para os 1970 – leia-se flower power, Grateful Dead, Led Zeppelin e, em uma seara mais literária, Norman Mailer, Tom Wolfe e outros. Mostra o que quis dizer logo na primeira história. Um velho afro-americano interpela Hal Jordan: “Cê trabalha pruns anãozinhos azuis, ajudou uns sujeitos laranja, deu uma força prum povo roxo. Por que você nunca ajudou os negros?”. Quadrinhos de super-herói acabavam de deixar de ser coisa de criança.

A palavra chave é confronto. Um Lanterna apolíneo em choque com um Arqueiro dionisíaco, obrigados a conviver. Uma América ideal confrontando uma realidade que não deu tão certo. E dois quadrinhistas que tinham pouco em comum, mas que souberam utilizar este confronto como força criativa. O’Neil parece ter listado todas as chagas dos Estados Unidos à época e distribuído entre as histórias. Adams faz diagramações brilhantes – e como ele desenha a Canário Negro charmosa.

O encontro reverbera até hoje (experiência interessante: releia Arqueiro Verde – A Busca e você entenderá. Brad Meltzer amarrou muito bem a história). Pode-se afirmar que tudo feito em HQ de super-herói com uma temática mais realista/social seja filhote dá série – e de Stan Lee colocando o Homem-Aranha em meio a protestos estudantis na mesma época.

A Panini faz o seu melhor relançamento desde o Demolidor de Frank Miller, de um material raro, só antes publicado em formatinho. E continua em maio, com o segundo volume – que trará a famosa história do Ricardito junkie. Ponto para eles.

Grandes Clássicos - Lanterna Verde/Arqueiro Verde reproduz as edições 76 a 82 da revista Green Lantern/Green Arrow. Tem formato 17x26 cm, traz as capas originais, introdução por Dennis O’Neil, biografia dos autores, capa cartonada de couché, 180 páginas em papel LWC e custa R$ 24,90.

Publicado originalmente no Sobrecarga em 20/04/06.

sábado, 22 de abril de 2006

sexta-feira, 21 de abril de 2006

A decadência do futebol carioca

Os ovos de Páscoa do Vasco da Gama estão em promoção na Lojas Americanas. Encalhou.

P'ra dizer adeus

A Kerrang! colocou no ar o novo clipe/single do Placebo, Song to say Goodbye. Meia-bomba toda a vida.

quinta-feira, 20 de abril de 2006

Danger Girl

As Panteras

Após ter estreado no Brasil em uma edição especial com o Batman, Danger Girl tem agora seu arco inicial finalmente lançado, dividido em dois encadernados da Devir: Danger Girl – Perigosamente Sua e Danger Girl – Jogos, Trapaças e Sedução. Danger Girl, que pertence ao selo Wildstorm, da DC, não trata só de uma garota, mas, para felicidade geral, das quatro que compõem a agência de espionagem que dá título à série. Os dois volumes mostram o recrutamento da última integrante, Abbey Chase.

Antes de avançar, é necessária uma contextualização histórica. Em 1997, quando DG foi lançada, J. Scott Campbell acabara de deixar Gen 13, série-ícone do boom da Image Comics, feita em parceria com Jim Lee. Conforme explica no prefácio do segundo volume, Campbell estava cansado do esquema ação, superpoderes, peitos e bundas de Gen 13. Então, desenvolveu Danger Girl, que tem ação, peitos e bundas, mas sem superpoderes. Enfim...

Algo fica claro em todas as páginas: Campbell ama Abbey Chase. Ele ama desenhar suas curvas, enche-la de detalhes como a pintinha na bochecha esquerda e vesti-la com roupas provocantes. E vai fazer de tudo para você se apaixonar também. Danger Girl joga com os fetiches. Tudo, claro, dentro da boa moral da indústria americana de quadrinhos – ainda mais em 1997, quando o Comics Code era vigente.

Pena que Campbell não consiga fazer o mesmo com os roteiros. Nem com a ajuda do co-roteirista Andy Hartnell - que, aliás, nunca fez muita coisa fora parcerias com Campbell. A história é assumidamente copiada, digo, inspirada em Os Caçadores da Arca Perdida: busca por artefato místico, nazistas querendo dominar o mundo e até Sean Connery. Mas, diferente do filme-inspiração, o
ritmo é meio truncado; parece que faltou tirar algumas gorduras do roteiro para a ação desenfreada. Além de não ser nada original.

Campbell é um desenhista com personalidade – apesar dos rostos iguais de Abbey e Natalia –, o que gera diferentes reações. Os admiradores poderão se deliciar com o segundo volume, cuja metade é dedicada a pin-ups, capas, estudos, story-boards e brincadeiras – a melhor delas é passar as páginas rapidamente, olhando para o
s cantos inferiores, e ver Abbey dançando graciosamente na mais velha técnica de animação do mundo.

Danger Girl é recomendado aos fãs de Campbell. Para os dema
is, fica a sensação de que foi bom, mas que poderia ter sido bem melhor.

Danger Girl – Perigosamente Sua tem formato 23x16 cm, 130 páginas, prefácio escrito pelo ator Bruce Campbell e custa R$ 36. Danger Girl – Jogos, Trapaças e Sedução tem as mesmas dimensões, 204 páginas, prefácio por J. Scott Campbell e custa R$ 42.

Publicado originalmente no Sobrecarga em 18/04/06.

Como se a minha vida já não tivesse danger girls suficientes.

quarta-feira, 19 de abril de 2006

Uma pequena vitória

Ontem, eu consegui uma pequena vitória. Ajudei um amigo a resolver um problemão financeiro. Uma pequena vitória para mim, mas que fará muita diferença para ele.

Incrível como isto melhora o seu dia.

The Small Victories
The Cankers And Medallions
They Keep Me Thinking That Someday

I Might Beat You
But I'll Just Keep My Mouth Shut

Canção do Faith no More - que não tem muito a ver com o contexto, mas eu gosto bastante.

Sexo ruim

Dizem que não existe sexo ruim.

Existe sim. Chama-se fisioterapia.

Você fica suando em uma cama, em posições esquisitas, com uma mulher mandando em você. Contando assim, pode parecer legal. Mas não é.

E olha que quase toda fisioterapeuta é gatinha.

segunda-feira, 17 de abril de 2006

Seu Jorge Electric Ladyland

Foto para a Vogue RG.

Malandrão...

Atualização: O Moby foi mais malandro antes.

domingo, 16 de abril de 2006

Lichtenstein no MAM


Bela mostra e bela amostra de Roy Lichtenstein no Museu de Arte Moderna do Rio - após ter passado por SP e Bs As. Não tem um enfoque rígido determinado, não varre sua carreira inteira, nem são as obras mais famosas: colagens, pinturas e desenhos junto a diversos estudos. Ideal para analizar o processo criativo.

Muitas obras recentes, como 1992 e 1995 - Lichtenstein morreu em 1997. E todas de coleção particular. O que só alimenta meu sonho de poder comprar uma delas um dia.

De lambuja, uma exposição só de obras sobre o Pão de Açucar - ideal para gringo ver. E uma mostra de um arquiteto finlandês.

Collage for House I, aí no topo, está no MAM.

Segundo pesquisa, 51% dos cariocas pensam em deixar a cidade por causa da violência

Ótimo. Vão embora. A cidade vai ficar bem melhor. E bem menos violenta.

Ladrão da Eternidade

Cliver Barker escrevendo para crianças. Clive Barker, o sujeito que criou o Pinhead – o cara cheio de espinhos de Hellraiser -, escreve livros aterrorizantes e já inspirou quadrinhos perturbadores, produzindo algo para crianças. Foi mais ou menos assim que The Thief of Always foi recebido em 1992, quando foi lançado. O livro, escrito e ilustrado por Barker, nunca foi lançado no Brasil. Mas sua versão em quadrinhos, O Ladrão da Eternidade, chega agora via Pixel Media, após ter saído ano passado nos Estados Unidos.

Barker usa uma velha artimanha: escreve algo supostamente para crianças, mas que agradará mesmo aos mais velhos (vale lembrar que a HQ em nenhum momento se define como infantil, tanto aqui quanto lá fora). A história parece O Mágico de Oz, só que contada pelo Marilyn Manson: o menino Harvey Swick está entediado com fevereiro (o equivalente do hemisfério norte ao nosso agosto: volta de férias, ainda com meio ano de aulas e sem feriados. Pelo menos é mais curto) e conhece um sujeitinho estranho que o apresenta à Casa de Férias do Senhor Hood. As quatro estações do ano acontecem todos os dias na casa, assim como Helloween e Natal. A única condição é que Harvey nunca a deixe.

A premissa pode parecer um pouco batida, mas o texto de Barker e o ritmo criado por Kris Oprisko – responsável pela adaptação do roteiro – salvam. A partir do momento em que Harvey descobre que algo ali é muito estranho, a trama fica bem assustadora e claustrofóbica. Cai no final, com um embate meio nada fora do comum e um epílogo apressado. Os personagens são carismáticos e bem delineados, mesmo seguindo os estereótipos clássicos para a identificação infantil. A melancólica Lulu clama por solidariedade. E Harvey, se fosse para Hogwarts, transformaria Harry Potter no segundo da turma facilmente.

Tudo ficaria bem aquém com um desenhista chinfrim. O que está longe de ser o caso de Gabriel Hernandez. O artista usa sua experiência como ilustrador de livros infantis para criar o clima etéreo que a história pede. Traduz diferentes atmosferas com os sombreados. E “bolou” o design dos personagens de Barker bem ao gosto do autor – principalmente os mais bizarros.

A capa da edição brasileira é semelhante ao encadernado da IDW Publishing, que lançou a história nos EUA dividida em três partes – e com imagens de rosto mais bonitas. O álbum da Pixel traz um artigo sobre Barker escrito pelo crítico Rodrigo Fonseca, uma entrevista com o escritor e um sketchbook comentado por Hernandez.

Tim Burton deve adorar.

O Ladrão da Eternidade tem 148 páginas em papel couché, capa cartonada e custa R$ 33.

Publicado originalmente no Sobrecarga em 10/04/06.

Quase que esqueço de colocar isso aqui.

sábado, 15 de abril de 2006

Leo Martins


Triunvirato da seleção, retirado do No Mínimo. Leo Martins é o melhor discípulo de Loredano que eu já vi.

Sair à noite

Sair à noite é uma merda.

Mas ainda assim é melhor do que ficar em casa, "assistindo seção erótica do Telecine Action", como escreveu certa vez o Calbuque. Minha sexta-feira nada santa foi horrível. Maquiavel escreveu que um bom governante depende de fortuna e virtu. Sorte e competência. Pois eu fui azarado e incompetente.

Pelo menos, sair à noite serve para travar diálogos como este:

Eu - ... mas, então, como estava a praia hoje?

Jovem Estilista - Estava ótima. Mas teve uma hora que eu fui mergulhar e veio uma série de ondas gigantes. Parecia um tiramissu.