
A galhofa começa pela capa e se espalha pelas várias ilustrações incidentais do álbum, que remetem ao ménage à trois quadrinístico. São 17 histórias curtas. Há crítica política, uma re-interpretação da História do Brasil e uma homenagem ao Henfil. Mas o melhor é o niilismo que permeia todas elas. Ser engraçado e pronto. A boa e velha sacanagem.
Passando por todas, a impressão que fica é que Glauco funcionava como o grande bolador de piadas, o responsável pelo caos criativo. Laerte era a reserva técnica, o que mais desenha e tem o melhor storytelling – vide a cena e atropelamento em Lingérie. E Angeli era o ponto médio, costurando os outros dois, com seu jeito resmungão punk. Parte da impressão é comprovada com A história das histórias, pequenos comentários sobre a criação de cada uma.
Who’s that Landão é uma fina experiência narrativa com fundo fixo; O Garoto da Capa subverte o sonho de qualquer adolescente; Cenas Censuradas da Reunião do Conselho de Censura sacaneia um problema que os três tiveram, e que felizmente ficou para trás; A história do sujeito que queria entrar pra História comenta como funcionam as coisas no Brasil, além de mostrar Angeli e Laerte versáteis no traço; e o último esculacha em O Míssil, história que destoa no álbum pelo teor.
Por mais que Angeli tenha resmungado, a homenagem ao Henfil mostra o DNA dos três. Função que, como quem não quer nada, o trio exerce hoje em boa parte dos desenhistas do país. Passados quase 20 anos, o humor das histórias não envelheceu. Como se arte envelhecesse.
Seis Mãos Bobas tem formato 28x21 cm, 80 páginas em preto e branco e custa R$ 23.
Publicado originalmente no Sobrecarga em 29/05/06.
Esses bobos bem que podiam lançar um álbum conjunto com material novo...
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