Em algum lugar deste verão, chegará às telas de cinema Stoned. O filme é fraquíssimo; uma biografia da morte do Rolling Stone Brian Jones. Mas um dos trunfos de Stoned é jogar uma luz sobre Anita Pallenberg, a ítalo-germânica que se insinua para Jones nas sombras, enquanto o guitarrista foge das fãs Anita é interpretada pela louraça belzebu Monet Mazur – sim, o nome dela é Monet –, que não fez nenhum filme que preste na vida. Mas Monet funciona bem
Jones foi o pioneiro – como em muitas outras coisas entre os Stones. Como mostrado no filme, conheceu Anita. Ou melhor, foi conhecido. E, como também é mostrado no filme, Anita que apresentou várias substâncias que favoreceram seu lado criativo – mas que também foram seus algozes. Em retribuição, Jones compôs as músicas para Degree of Murder, filme alemão
Em na sua loucura cada vez mais hermética, Jones deixando Anita de lado. A deixa para que Keith Richards entrasse
O casamento com Richards favoreceu que Anita dividisse as telas com Mick Jagger em Performance, psicodélica produção de 1970 em que o cantor meio que interpreta ele mesmo, em uma convivência forçada com um gângster londrino. Acabaram dividindo também a cama.
Deve ser um ponto delicado da tempestuosa relação Richards/Jagger.
Após o casamento com Richards, Anita cansou. Com o encaretamento do mundo na década de 1980, tornou-se estilista e crítica de moda – relevante, com artigos publicados na Vogue. Manteve algumas contribuições nas telas, mas nenhuma próxima de seu auge: Anita viveu a Rainha Negra
E para quem pensa que a contribuição de Anita aos Stones é meramente sexual – como se isso fosse pouco –, um adendo: dizem as escrituras que Anita Pallenberg é a musa inspiradora de Wild Horses, uma das mais belas canções dos Rolling Stones.
Anita não era para ser domada.
Publicado originalmente no Almanaque Virtual em 16/02/06
Eu adoro escrever sobre mulheres fantásticas; é uma das melhores coisas para se fazer com elas.


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