terça-feira, 8 de agosto de 2006

Jean Dolabella se garante

O cara é rápido. E bate forte. E o melhor: não é um Iggor cover. Toca diferentes, mudou até algumas batidas em Roots.

O melhor do show foi o clima garagem: parecia que quatro caras que estavam tomando cerveja ainda há pouco no Arco-Íris resolveram fazer um som. E o público ser formado muito por cabeludos toscos da Lapa também ajudou - além de pessoas de fora da, aham, cena metal, evidenciando o cada vez mais não-metalerismo da banda. Acho isso bom.

Longa vida ao Sepultura! Dante XXI deve ser um discasso, pelo o que se viu no palco.

Foto de Estevam Romera, retirada do site oficial.

Quem manda mais?

Unimed no Fluminense ou Eduardo Uran no Flamengo?

domingo, 6 de agosto de 2006

lonelygirl15

Eu falei que ia ficar longe daqui por todo o final de semana, mas, enfim, vício é vício. E poderia estar fazendo coisa muito pior na internet.

Ricardo Calil cantou no No Mínimo, eu pesquei: o
Youtube ganha sua primeira vlogueira de sucesso. lonelygirl15 manda recados sobre o nada trancada em seu quarto junto ao namorado. Eles também poderiam estar fazendo coisa pior. Ou melhor.

O que Calil não comentou: o grande tchan dos blogs é o feedback, e lonelygirl15 tem ganho vários Re: também em forma de vídeo, de várias partes do mundo. Pode estar nascendo uma nova forma de blogar, ou melhor, de se vlogar. Como tornou-se lugar comum nos últimos anos, a internet amplia os parâmetros do audiovisual.

Talvez daqui a pouco lonelygirl15 caia no ostracismo tipo aquelas celebridades de Fotolog. Mas, para quem tem uns 16 anos, a menina é bem espirituosa.

B-Boys... B-Girls...

Para entrar no clima do talvez show dos Beastie Boys no Tim Festival.

Lembrei-me dos b-boys no Trocadéro...

Um bando de pangarés. A galera do Grupo de Break Consciente da Rocinha os esculacha.

Piratas ao sul do Caribe

Talvez Jack Sparrow seja um antepassado mais afetado de Corto Maltese. Uma característica comum une os dois piratas – se Corto não é um pirata ao pé da letra, é pelo espírito livre –: são falsos bad boys. Os dois botam banca de só se interessar por moedas de ouros ou que colocam o bolso à frente da moral. Mas quando a coisa aperta, revelam-se bons heróis. Típicos cordeiros em pele de lobos.

O maltês faz isso diversas vezes ao longo de Sob o signo de Capricórnio, sua segunda aventura lançada pela Pixel Media. E que traz um grande atrativo para nós: boa parte da trama se passa no litoral baiano, reminiscência da temporada de Hugo Pratt no Brasil. Hora de colocar à prova a tal fidelidade que o italiano retrata os cenários.

A resposta é inconclusiva. Ao mesmo tempo em que Pratt reproduz igrejas barrocas e trajes de cangaceiros com fidelidade, mistura elementos astecas e do tarô no candomblé. Mas vamos confiar no artista e em sua licença poética – e dá especial prazer uma história em quadrinhos que se passa no Rio São Francisco e na Praia de Itapoã, com participação do cangaceiro Corisco. Corto, inclusive, arrisca uns golpes de capoeira.

Salvador só aparece mais à frente no álbum. A história começa na antiga Guiana Holandesa (o atual Suriname), onde o marinheiro conhece o ébrio professor Jeremiah Steiner e jovem inglês Tristan Baltan, que o acompanham por todo o álbum – e ainda aparecerão no próximo, Sempre um Pouco Mais Distante. Tristan tem uma meia-irmã na Bahia, Morgana, que lhe envia estranhas mensagens telepáticas sobre um tesouro, o que faz com que a trupe aporte na terrinha.

O álbum é dividido em seis episódios, com uma trama que une todos, mas cada um com sua sub-trama fechada. Todas as partes seguem uma estrutura comum, salvo a última: Corto já surge com sua memória afetada, por razões que só serão conhecidas no álbum seguinte.

A versão nacional de Sob o Signo de Capricórnio tem dois grandes extras: um testemunho do pesquisador Álvaro de Moya sobre seus encontros com Hugo Pratt, e uma galeria com visões de Corto por desenhistas brasileiros: algumas mais fiéis como as de Moon & Bá e Marcelo Campos; outras, mais inusitadas como as de Lourenço Mutarelli e João Pimenta. E umas bem irônicas, como a de Laerte. A impressão das letras nos balões parece um pouco “pixalarizada”, mas nada que atrapalhe.

Pratt apresenta personagens de toda a sorte, como a descendente de pirata Ambigüidade de Poincy e o suposto clã de criminosos Lokäarth – além do velho conhecido Rasputin. Mas usa a misteriosa baiana Boca de Ouro e a história que descamba a partir de sua entrada na trama para tratar de um assunto espinhoso: a dominação de um ser humano sobre outro, seja por colonialismo, seja por coronelismo. E, de quebra, mostra a verdadeira índole de Corto, por mais que a sua personalidade irascível tente esconder. ¤

Corto Maltese - Sob o signo de Capricórnio tem 144 páginas e custa R$ 33,00.

Publicado no Sobrecarga em 04/08/06.

Já tem outro álbum nas bancas. Assim eu não aguento...

sexta-feira, 4 de agosto de 2006

Lá vem o homem da gravata florida

Não faz bem começar o final de semana com um bando de criancinhas libanesas mortas, então vai de um desenho do Mitchell baseado em uma música do Jorge Ben (vou ficar devendo o Jor, com prazer).

Despedidas, festas, churrasco amanhã, churrasco depois de amanhã, show do Sepultura, lançamento da Jukebox, aniversários e reencontros - alguns bons, outros ruins e uns ainda bons e ruins.

Este final de semana deve ser longo e eu espero não reaparecer por aqui até segunda.

De quebra, tem a entrevistinha com o Cadu e com a Roberta lá no Sobs.

Um lado


De uma história que tem vários.
Charge de Quinho para o Jornal da Tarde
.

GLA

Escrevia um texto - depois ele entrará aqui - em que foi preciso uma rápida pesquisa sobre coronelismo. Sei lá por quais cargas d'água o verbete "coronelismo" na Wikipedia é ilustrado por uma foto do prédio da Prefeitura de Londres (até sei porque: é o símbolo da retranca "Poder Político". Que coisa mais imperial...)

Mas me recordei que, certa vez, mostrei uma foto minha próximo ao prédio para o meu pai, junto à placa indicando Great London Authority (GLA).

Pai: O que é GLA?

Eu: (
De supetão) Gays and Lesbians Association.

Pai: Como é que é?

Eu: Gays and Lesbians Association.

Pai: Eles tem esse prédio?

Eu: A-Ham. Em frente à Torre de Londres.

Pai: Tô vendo, na beira do Tâmisa, perto da Tower Bridge.

Eu: Sim.

Pai: Poxa, eles são poderosos.

Eu: Sim.

Acho que nunca contei a verdade para ele. E ele nunca me perguntou porque eu tenho uma foto todo sorridente em frente a Gays and Lesbians Association.

DJ Vader



O melhor são os dreds do cara vazando sob a máscara.

Não deixa de ser irônico

O Renato Gaúcho barrar o Valdiran por ir para a naiti.

quinta-feira, 3 de agosto de 2006

Mutantes zumbis

Já que este blog anda deveras moribundo, uma ilustração dos Mutantes feita pelo Kako que tem a ver.

Também tem a ver com a declaração da Rita Lee sobre a volta da banda.

É baseada uma foto famosa. Ou capa de um álbum, não lembro.

domingo, 30 de julho de 2006

Jukebox!

Revista nova! Com festa nova! Informações no fotolog novo!

E nota nova no Sobs amanhã.

Iron novo



Iron Maiden - The Reencarnation of Benjamin Breeg

O clipe: simples, só a banda tocando em estúdio, em uma edição razoável. Gostei. Os clipes do Iron são, em maioria, ruins.

A música: bacana, mas o cheiro de naftalina é inevitável. E meio longa também.

Mais uma do Corto

Acabei de ler Sob o signo de Capricórnio e Corto Maltese mostra-se uma bela fonte de sabedoria:

"As mulheres seriam maravilhosas se fosse possível cair nos seus braços, sem cair em suas mãos."

[Atualização] E mais outra do Corto:

Há um bar em Cagliari, na Sardenha, chamado Corto Maltese. Com pranchas reproduzidas nas paredes, uma ambiance praieira bem bacana e uma programação centrada em rock'n' roll e reggae. Não achei site oficial, só isso aqui. Mas descolei um vídeo no Youtube de uns italianos doidões no bar, ouvindo uma banda fazendo um cover de Metropolis, do Dream Theatre. E essa amiga deles, Roberta, não faria feio se desenhada pelo Pratt.

Mais um lugar que eu tenho que conhecer.

sábado, 29 de julho de 2006

He-Man reinterpretado

O sérvio Marko Djurdevic, novo capista de um dos títulos dos X-Men, elaborou uma visão mais apocalíptica-sadô-masô para os personagens de He-Man. Esse Esqueleto aí é inspirado no Marilyn Manson. Vá aqui para ver um He-Man com cabelo de Kurt Cobain, um Mandíbula teutônico e uma Malígna que faz jus ao nome.

Cadê o Gorpo?

Cabeça Dinossauro

Esse disco mudou a minha vida.

sexta-feira, 28 de julho de 2006

YYZ



Incrível como, das bandas clássicas de progressivo, a única que mantém uma "aura" original é o Rush - talvez por ser ainda somente três amigos tocando junto.

Esse Neil Peart animado é tão expressivo quando o original
.

Teflon

Assim como a imaginação, a escrotidão humana não tem limites.

Mais sobre exodos

Amanhã tenho uma despedida de uma amiga que vai morar em Dortmund.

Na próxima sexta, de outra que vai morar em Basel.

E acabo de encontar com um amigo comprando peixe no mercado. Em janeiro, ele parte para Valência.

O último a sair apaga a liz.

Prodígio

Com a minha idade, o Alckmin já era prefeito de Pindamonhangaba.

Mas eu prefiro muito mais ser o que sou do que ser prefeito de Pindamonhangaba.

O cineasta de uma nota só

Kevin Smith surgiu acalorando corações de indies e nerds. O Balconista ganhou respeito no Sundance, ganhou respeito em Cannes. Depois, ele tentou provar que era versátil. Chasing Amy até conseguiu chegar em algum lugar, mas Dogma, aquele filme filme só do Say e Silent Bob (até sei, mas não quero escrever o nome do troço) e Jersey Girl foram por água abaixo, se tanto nos últimos dois casos.

Kevin Smith não sabe fazer muitas coisas. Acho que ele só sabe fazer isto:



E faz isto muito bem. Clerks 2 estreou faturando muito mais alto do que o esperado e com boas impressões da crítica. E eu senti um prazer com esta notícia semelhante à sensação de ver Mallrats
pela primeira vez. Hilário, autoreferente e despretensioso.

De quebra, há uma minissérie do Homem-Aranha com a Gata Negra escrita pelo cara nas bancas. Uma bobeira. Mas como aquela bobeira é divertida - e aquele reencontro de ex, verdadeiro.

quarta-feira, 26 de julho de 2006

Here I come to save the day

Fui eu me divertir com os vídeos do Saturday Night Live no Youtube e me deparo com a seguinte mensagem:


Uma pena, já que estes quadros não estão disponíveis em nenhum lugar - só vi DVDs Musicais do SNL (inclusive, um dos vídeos que procurava era do Operaman) - e agora sou vítima das reprises.

Uma pena, também conhecida como tiro no pe (dos fãs, principalmente).

Nessas horas, Andy Kaufman sempre salva. Mas Andy Kaufman é mais perturbador do que qualquer outra coisa.

Piada deveria ser Domínio Público.

"You say you want a revolution"

Uma bela sacada

Incrível como às vezes tudo o que você precisa é uma simples sacada. O quadrinista Bill Willingham teve a sua – que nem é tão original assim –, e Fábulas já chegou à sua qüinquagésima edição nos Estados Unidos. Se a idéia de transportar personagens de contos de fadas para o “mundo real” não é inédita, Willinghan acerta em cheio nos rumos que dá para a história.

A segunda saga da série, A Revolução dos Bichos, lançada no Brasil pela Devir Livraria, mostra o destino das fábulas não-humanas, exiladas de seus reinos pelo misterioso Adversário: o confinamento em uma vasta fazenda no interior do estado de Nova Iorque. E como confinamento, por melhor que seja a prisão, nunca é algo agradável, os animais e variantes resolvem fazer um motim contra o governo geral de Branca de Neve e do administrador da propriedade, Weyland Obreiro, o que garante o título orwelliano ao álbum – que é mais centrado em diversão do que política propriamente.

Willingham desenha – como prova os estudos de personagem no final do álbum; inclusive, começou a carreira como ilustrador dos livros de RPG Dungeons & Dragons, já adquirindo intimidade com seres fantásticos – mas deixou a tarefa para Mark Buckingham, britânico que tem passagens por Miracleman e Sandman.Seu estilo claro e simples, que lembra Kevin Maguire, combina estranhamente bem com as criaturas mostradas no álbum. Mas o esplendor visual de Fábulas vem mesmo das capas de James Jean, que já lhe garantiram três vezes o prêmio de Melhor Capista no Eisner Award.

Fábulas faz parte do selo Vertigo da DC Comics, o que garante a liberdade para cenas mais violentas, mas nada muito chocante ou desnecessário. Buckinghan faz algumas piadinhas visuais, como inserir um livro do Shrek aqui, uma pedra do Rei Leão acolá. A edição brasileira segue aquele formato “americano um pouquinho menor” da Devir, que não compromete, mas não tem nenhum texto extra ou introdução.

Além dos desfechos, o sucesso de Fábulas pode ser justificado pela maneira com que Willingham costura mitos de diferentes origens, de escritores clássicos a contos medievais apócrifos, e pela representação inusitada de alguns personagens – dois dos Três Porquinhos parecem líderes sindicais de ética duvidosa, e a Cachinhos Dourados é uma militante de esquerda de fazer inveja a alguns fundadores de partido por aí. O grande gol é mesmo a dicotomia entre uma Branca de Neve clássica que usa bolsa Louis Vuitton, e cuja popularidade acabou ofuscando e amargurando sua irmã Rosa Vermelha, que está em um dos contos originais dos Irmãos. Culpa de Walt Disney.

Fábulas – A Revolução dos Bichos tem formato 24x16 cm, 128 páginas, galeria de capas e estudos de personagens e custa R$ 38,50.

Publicado no Sobrecarga em 26/07/06.

Cara, eu menosprezei essa série. Como pude fazer isso? E coloquei uma das capas do James Jean das que mais gostei. A propos, o blog do rapaz.

terça-feira, 25 de julho de 2006

Você sabe que é um idiota quando

Após dois meses de convivência, descobre que tem girado o moedor de pimenta para o lado errado.

segunda-feira, 24 de julho de 2006

Setembro rock na Fundição (e outubro reggae)

06/09 - Slayer.

14/09 - Franz Ferdinand.

18/09 - Yellowcard (Mas esse eu passo até por ser meu aniversário).

06 e 07/10 - Ziggy Marley.

sexta-feira, 21 de julho de 2006

Como ser dignificado

Ô quantidade de trabalho que não me deixa postar.

Mas semana que vem eu tô de férias!

quarta-feira, 19 de julho de 2006

Cortez, the Killer

Raul Cortez era um puta ator, forjado no palco, trabalhando contra a vontade da família tradicional, no início da carreira. Me marcaram muito o pai centralizador e cagador de regra de Lavoura Arcaica e, vá lá, o Jeremias Berdinazzi de O Rei do Gado. E o um cara tambématuou em uma versão de Auto da Compadecida com Os Trapalhões.

Histórinha de um amigo meu, que ele ainda não autorizou para colocar aqui. Qualquer coisa ele me processa.

Fiz um comercial com ele. O cara era um lorde, educadíssimo e excelente ator. Que eu me lembre, foi o único caso de take único. Mandou o texto de primeira, sem errar, super bem. O diretor ficou impressionado e falou que para ele tava feito, que ia fazer mais uma apenas por segurança de qualquer erro no laboratório. Ele fez de novo. Perfeito. Se despediu simpaticamente e foi embora. Não ficou 20 minutos no set. Impressionante!

A foto é do Estadão.

terça-feira, 18 de julho de 2006

Herói da resistência

Pequena nota no Globo de hoje; não tinha nem no site. Mas eu digitei.

Ato Obsceno

O desempregado Alberto Gomes Oliveira, de 38 anos, foi detido ontem depois de ter tirado a roupa e empunhado um facão em frente ao Comando Militar do Leste (CML), no Centro. Ele exigia ser recebido pelo presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, que sequer está no país. Alberto dizia que precisa contar a Lula que os Estados Unidos pretendem invadir o Brasil. O protesto acabou mal: Alberto foi detido e levado por ato obsceno e porte de arama branca. Segundo a polícia, ele é morador do Morro Cerro-Corá, no Cosme Velho.

segunda-feira, 17 de julho de 2006

Como não ler 'Adolf'

Indo de metrô para resolver umas pendências no ministério do trabalho. Abro a mochila e saco minha edição de Adolf. Sigo imerso na narrativa e na trama detetivesca de Osamu Tezuka e nem me dou conta da viagem. Ao chegar na minha estação, baixo o livro e vejo que todos estão me olhando meio estranho, com cara de poucos amigos.

Então percebo que um careca lendo um livro chamado 'Adolf' com a foto do Hitler na capa não é exatamente uma imagem agradável.

domingo, 16 de julho de 2006

Quiz no ônibus

572 - São Salvador/Leblon.

No trajeto entre Jardim Botânico e Flamengo, um pai e um filho fazem um quiz para matar o tempo. O pai faz perguntas de geografia política para o menino, de uns 7 anos, que devolve com perguntas futebolísticas.

Filho: Campeão Brasileiro de 2001?
Pai: Grêmio!
Filho: Não! Foi o Atlético Paranaense. Nã nã nã nã.

Pai: Tá bom, minha vez. Continente e capital de Cuba?
Filho: América Central e Havana.

Seguiu assim, com o menino impressionando: acertou Camberra da Austrália, Caracas na Venezuela e, incrivelmente, "alguma coisa com 'Ri'" para a Arábia Saudita. Pareceu que ele reservou a melhor para quando eu fui descer do ônibus.

Pai: Você tá ganhando de 5x3, vou parar de facilitar, heim? Continente e capital da Polônia?
Filho: É na Europa. A capital é algo com Wa... Wa... Wa... Vassouras!

Eu aplaudi.

sábado, 15 de julho de 2006

Mr. Bungle

Tenho plena consciência que o real valor do Broder só será dado após ele se matar auto-exiliado em Arles, com a orelha decepada. O vagaba faz tudo isso no Paint.

Música de Copa

Ainda em ritmo de Copa, duas notícias musicais nesta bela manhã de sábado:

Eu, eu, eu, o Weezer acabou: Pelo menos, é o que dizem por aí. Cuomos finalmente se formou e se casou, vai seguir carreira acadêmica. Mas nunca se sabe.

Olê-lê, Olá-lá, Lombardo vem aí, e o bicho vai pegar: Slayer em setembro. Já confirmado em São Paulo. Porque eu tenho fé, assim como
Tom Araya.

sexta-feira, 14 de julho de 2006

Hype! nas bancas

Da séries dos mais improváveis, Hype! foi lançado dentro da coleção de DVDs da Bizz. A caixinha define como o "documentário definitivo sobre o grunge". Eu defino com o anti-rockumentário. Hype! mostra como um bando de fuleiros em um dos lugares mais pobres dos Estados Unidos criaram um monstro, ou melhor, foram transformados em um monstro.

Como uns moleques se juntaram para fazer um som e, quando deram-se por sí, eram a maior banda do mundo, e sua cidade bizarra era "o local mais cool do universo".

Os cães ladraram e a caravana passou. No caso, a caravana é a indústria musical . E os cães continuam ladrando em Seattle (e em outras Seattles por aí) como faziam há uns 15 anos.

Vale pela a edição irônica e as entrevistas do designer, do Endino, de um jornalista gordinho de óculos, do guitarrista do Screamming Trees, do Kim Thayil, o Vedder tentando colocar umas bandas novas como papagaios de pirata para diminuir sua culpa pelo sucesso do Pearl Jam e - isso é histórico mesmo - os caras conseguiram desencavar a primeira execução ao vivo de Smells Like Teen Spirit.

Meu altar à primeira metade da década de 1990 fica mais completo. Falta agora só o álbum do Peter Bagger que foi lançado, para colocar do lado do meu livro do Charles Petterson (autor da foto da capa do DVD).

Complexo não-complexo

No texto que abre a (enfim!) edição nacional de Incal, o escritor chileno de origem russa Alejandro Jodorowski nos conta que tudo aquilo veio para ele como em um sonho, e Moebius colocou no papel. Mas após a leitura dos dois primeiros tomos, O Incal Negro e O Incal Luminoso, que a Devir Livraria reúne neste primeiro volume, fica a impressão que a coisa funcionou da maneira inversa: Moebius sonhava, e Jodorowski dava um jeito para organizar tudo aquilo.

O desenhista francês tem várias qualidades, como a leveza e agilidade dos seus traços e sua diagramação vertiginosa que quebra com o padrão franco-belga, mas talvez o que mais chame a atenção em Incal é sua inventividade no design: há coisas ali que não se parecem com nada, como os bergs, o/a Imperadoratriz e tudo com que o herói (?) John Difool cruza após entrar no Exterior Interno. De onde Moebius tira aquilo?

Jodorowski já era um cineasta, escritor e até mímico com décadas de experiência quando escreveu Incal. Multimedia como sempre foi, escolheu bem a linguagem que usaria para contar uma de suas principais obras. Incal só seria possível, da maneira que Jodorowski queria, se fosse em quadrinhos. E com Moebius desenhando.

Posto isto, e com a relevância que a obra ganhou ao longo dos anos, parece que
Incal é algo muito rebuscado. Nada. É uma aventura (no sentido mais rasteiro) ágil e divertida, gostosa de ler. Estrelada por um personagem improvável e trapalhão, o detetive fuleiro John Difool – surgido, como todos os personagens da série, das cartas de tarô – que acaba ganhando posse do item mais poderosos do universo e é catapultado para uma disputa de proporções galáctica. O típico anti-herói no lugar errado.

A história nasceu de uma frustração: Jodorowski e Moebius estavam envolvidos em uma malfada adaptação cinematográfica do romance Duna, dirigida por Dan O'Bannon. Se (este) filme sobre a obra de Frank Herbert foi para o limbo, serviu para unir a dupla pelo potencial da ficção científica. Jodorowski floreia, dizendo que não colocou o roteiro no papel, simplesmente contou para Moebius. Seja como tenha sido, deu o substrato para criação de um vasto mundo cyberpunk e seus personagens estranhos – expandidos nas séries derivadas, algumas delas ainda correntes.

A edição lançada pela Devir é baseada em uma republicação de 2003 da
Humanoïdes Associés, totalmente recolorida por Valérie Beltran. Saíram as cores chapadas, entrou o aerógrafo e mais diferenciações de luz. Não comprometeu, mas ficou bem diferente do original. A tradução de Marquito Maia é eficiente, com expressões bem brasileiras – “estão fungando no meu cangote” – mas mantendo a essência original. O álbum conta também com uma bem completa biografia de Jodorowski (a de Moebius virá no próximo volume). O único senão é que, pelo preço, poderia ser com capa dura, tipo os originais franceses.

Com muita genialidade e até naturalidade, as duas mentes criaram uma das mais celebradas HQs. Mark Millar define como “uma das histórias em quadrinhos mais perfeitas já criadas”.
Incal consegue reunir aventura, humor, ficção científica, misticismo e doideiras puras. Consegue ser complexo sem parecer complexo. E de uma maneira possível só nos quadrinhos.

Incal – Volume I
tem 28x21 cm, capa cartonada com orelhas e reserva de verniz, 96 páginas coloridas em papel couché brilhoso e custa R$ 42.

Publicado no
Sobrecarga em 13/07/06.

Sem nenhum motivo especial, eu gostei muito dessa.

quinta-feira, 13 de julho de 2006

Eu gostei dele

Achei ele simpático. E essa cidade precisa de luz mesmo.

Coisinha ridícula

Hoje é Dia Mundial do Rock.

quarta-feira, 12 de julho de 2006

Truth, Justice and the American Way

Pela numeração, esta edição deve ser de 1944 ou 1945.

E foi-se Syd

Com a missão cumprida. The lunatic is in the grass... (Ó-quei, essa não era dele. Mas Syd inspirou tudo o que o PK fez. E eu fiquei com vontade de cantar.)

Morre Syd Barret, ex-Pink Floyd

Por Marcelo Tavela — Terça, 11 de julho de 2006


Syd Barret
, um dos membros iniciais do Pink Floyd e mentor da banda em seus primeiros anos, morreu na Inglaterra, aos 60 anos, em decorrência de diabetes. Barret entrou para o grupo em 1965 e saiu três anos depois, após ter gravado os álbuns The Piper at the Gates of Dawn e A Saucerful of Secrets. Depois do desligamento, Barret lançou ainda dois álbuns-solos, mas adotou uma vida reclusa, sem perder o carinho dos fãs.

A banda divulgou uma nota lamentando a morte, informando que "Barret sempre foi uma luz-guia para todos e que deixa um legado inspirador". Em entrevista a BBC, David Bowie
disse que Barret era sua "inspiração-maior". "Foi o primeiro cara a cantar rock ou pop como um legítimo britânico – a sua influência na minha forma de pensar era enorme". Barret será enterrado em uma pequena cerimônia familiar.

Publicado no Sobrecarga em 11/07/06.

terça-feira, 11 de julho de 2006

Cara, fiz uma besteira...

Assisti parte do primeiro capítulo de Páginas da Vida. Tarcisão agarrando emocionado Glória Menezes, Regina Duarte sofrendo, Daniele Winitz fazendo a gostosona... Nada muda. Pelo menos, teve Amsterdã. Com uma intercambistas duranga morando sozinha em um barco-casa com jardim.

Ai, ai...

Resistir é inútil

Um hype feladaputa + a sensação de oportunidade única + um "Ah, vai comigo, vai?" = R$ 150 em um ingresso do Cirque du Soleil.

Enfim, na França custava 200 euros, então estou no lucro.

Doze e Treze

Doze: Com 11 anos de atraso, assisti ontem a porra-louquice de Terry Gilliam Os 12 Macacos. Sabendo usar, dá para ver filme com o Bruce Willis. E também foi a primeira vez que o Brad Pitt se mostrou como ator - dizem que no DVD há uma entrevista com Gilliam dizendo como foi relutante à escolha do (então só) galã. Complexa crônica sobre espécies dominantes, terrorismo e o que vemos fazendo com o mundo há alguns séculos. E como Gilliam consegue criar ambientes angustiantes, tanto pelo hospício como pelo futuro.



Treze: Com 22 anos de atraso - mas aí a culpa não é minha -, XIII chegou ao Brasil. Willian Vance tem um traço detalhadíssimo, quase um bico de pena, mesclado com as cores chapadas franco-belgas. E pinta capas belíssimas em aquarela. Escolhe bons enquadramentos, tipo grandes perspectivas com os personagens distantes, no fundo do quadro. E, por terem sido produzidos em 1984 e 1985, os dois primeiros tomos que a Panini reuniu na edição 1 tem um cheiro oitentista, mas do lado bom - design dos carros, roupas e cabelos. Uma trama de ação, mais ao estilo europeu: sobe a espionagem, desce a pancadaria. Jean Van Hamme sabe envolver com seu texto. Muito bem vindo isso - até porque me sinto melhor por ter economizado 27 euros em uma coletânea francesa com os 3 primeiros tomos.

segunda-feira, 10 de julho de 2006

Super pelos mestres


Para entrar no clima: Superman do Moebius e Superman do Will Eisner.

Mais em breve.


Pelada por pelada

Fico com o Campeonato Brasileiro.

Pelo menos não tem o Bial fazendo "poesia".

Medíocre em francês é médiocre mesmo

Cheguei a dizer aos quatro ventos que o Zidane era o último jogador de futebol elegante e o cara me apronta uma dessas? Tudo bem que o ignorante do Materazzi ofendeu toda a família dele, mas um jogador com a sua experiência era para ter devolvido em campo, não com uma cabeçada no peito.

A França perdeu a Copa ali. Não deu para torcer mais por
les bleus. A Itália também não fez por merecer; foi campeã jogando de verdade só os 15 minutos finais da prorrogação do jogo contra a Alemanha. Mas a França não mereceria, de maneira alguma.

Que final de carreira contrastante. Medíocre. A minha decepção é enorme; tipo tivesse confiado em alguém por uma vida inteira e, em segundos, esta confiança é demolida. Que Copa triste.

E, na boa: cabeçada no peito? Se era para bater, fechasse a mão e arrancasse alguns dentes do Materazzi - porque ele até merece. Francês é tudo frouxo mesmo.

De quebra, um comercial da Isenbeck:


domingo, 9 de julho de 2006

Saída: aeroporto

Constatação de uma amiga, que se mudou recentemente com a família - 4 elementos, classe média média - e passou pelo périplo de procurar apartamento.

"Sem brincadeira, uns 80% das casas que visitamos foram de casais cujos filhos saíram do país. Quase sempre o papo de que 'estou vendendo porque meu filho está morando no Estados Unidos'. Teve até uma avó que pegou um álbum de fotografias do neto na Alemanha. Quem pode, sai fora."

Por mais que mundialmente tenha crescido o número de pessoas que trocam de cidade ou país - isso é puro achismo, mas tenho a forte impressão - não deixa de ser triste. São pessoas de classe média, crème de la crème da sociedade brasileira real - rico não conta, vive em outro mundo - para quem não se compara a qualidade de vida e o salário de fora com o que ganharia por aqui.

Eu adoro essa putaria; não pretendo do Brasil sair por muito tempo. Mas decisões podem ser revogadas.

Média de gols

Esta Copa deve terminar com a média de gols 2,30 por partida.

É a segunda pior marca da História, atrás do 2,21 da Copa de 1990.

Sem mais pelo momento.


sexta-feira, 7 de julho de 2006

O filme novo é maravilhoso.

PS: Kevin Spacey de Lex Luthor é mau como o Pica-Pau.

quarta-feira, 5 de julho de 2006

Porque eu confio na França

Eu confio na França. Os jogadores francesas são valentes. Usam sua experiência com sabedoria. A Marsellaise é um hino belo, que impulsiona seu povo nos momentos árduos. Zinedine Zidane é o último avatar da elegância clássica no futebol e...

Na verdade, jogo foi horrível. Henry cavou o penalti e a França só ganhou porque Portugal é pior ainda. Que Copa feia.

Só estou realmente feliz porque crave o 1x0 no bolão, o que me dá alguma chance de tirar algum troco. Incrível como o dinheiro corrompe a poesia da vida.

Site do Câncer de Mama

www.cancerdemama.com.br

Clique e ajude.

terça-feira, 4 de julho de 2006

Olha, espirituosos eles eram

Uma lástima

Da série "palavras que você nunca esperaria juntas": a alegria alemã me fez torcer pela equipe germânica hoje. Um título nesta Copa faria muito bem para a Alemanha na Alemanha, por ser mais um fator de unificação em um país sempre complicado neste quesito, e seria mais uma forma de reafirmar a Alemanha na Europa.

E o belo discurso do Klinsmann, de que na verdade este seria o primeiro título alemão, de uma só Alemanha, me emocionou.

Mas futebol nem sempre justo, futebol nem sempre é belo.

Pelo menos, acaba com aquela história de que a Copa estava feita para a Alemanha. Dá maior legitimidade. E a parte italiana do meu sobrenome comemora. Tavela vem da Reggio Calábria, bem na ponta da bota que vai chutar a Sicília.

PS: Quer ficar puto? Compara a reação pós-elimunação dos jogadores alemães com os brasileiros.

PPS: Imagina a festa em Buenos Aires agora...

segunda-feira, 3 de julho de 2006

domingo, 2 de julho de 2006

Comentários pertinentes

Uma: "Aí, na boa, o Kaká tem cara de quem é ruim de cama..."

(Se bem que ontem todo mundo brochou).

Outra: "Ai, tenho que ter fé. Deus é brasileiro!"

Mais uma: "Pena que a França seja a terra da razão".

sábado, 1 de julho de 2006

Déjà vu


Freguês, em francês, é "client"

Et je n'ai rien plus a dire.


Poliana F. C.

Outro dia, o Arnaldo Branco comentou em seu blog que a seleção não tem bad boys. Vou além: esta Copa não tem bad boys. Quem apontar? Talvez o Rooney, porém mais pelo jeito de quem cai na porrada em pub uma vez por semana do que pelas atitudes e declarações. O Figo dá umas estocadas de vez em quando, mas não há sentido em um bad boy português. Há carniceiros como o Materazzi, mas bad boy não é cavalice, é estilo de ser. Até mesmo o Henry quando vai chamar brasileiro de burro, ignorante e iletrado dá uma floreada. E o destaque da Argentina, Riquelme, tem o jeito de jogar o menos argentino possível. Simeone deve estar inconsolável.

Futebol asséptico é isso aí. Deve ser por isso que todo mundo vibra com o Maradona xiliquento na arquibancada.

Saudades de Romário e Edmundo cantando Somos bad boys/ Isso não tem nada a ver...

Atualização: Rooney acaba de aumentar sua cotação com um pisão no saco de um português.

Atualização 2: E tem o Felipão...

Cueca

Alemanha e Argentina jogaram de calções pretos ontem. Então nada justifica o Brasil usar a cueca branca quando enfrentar seleções de shorts azuis.

Meu tio argentino me deve uma caixa de Quilmes.

sexta-feira, 30 de junho de 2006

"O Brasil não perde oportunidade de perder oportunidade"

A frase é de Roberto Campos, o Bob Field. Você pode odiar Roberto Campos, mas a frase é boa ("Eu não odeio. Eu quero te matar, mas eu não te odeio", como diria o John Turturro para o Anthony Quinn em um filme meia-bomba do Spike Lee que vi anteontem. Tenho muitas discordâncias, mas reconheço a relevância de Campos para o pensamento econômico brasileiro).

Estranho usá-la para falar de TV Digital. É possivel que Campos apoiasse a decisão pelo padrão japonês. Eu não apoio. E sinto a perda de uma bela oportunidade de mudar o espectro (amplos sentidos) da televisão no país.

O modelo europeu seria mais barato para o consumidor. E, base de um sistema "democrático" (as aspas são para Hélio Costa e seu discurso no anúncio), abriria mais concorrência nos canais de TV. Abriria mais canais de TV. As telefônicas iam sair ganhando também - sempre um grupo poderoso sai ganhando - mas tornaria a televisão brasileira mais democrática. E, pensando na minha galera, fomentaria mais empregos.

Há alguns meses são veiculados anúncios em jornais que unem todas as TVs abertas em um "abaixo assinado" pelo padrão japonês. Se conseguiu colocar Globo, Band, Record e Rede TV!, entre outras, juntas, desconfie.

Lula disse que o padrão japonês levou em conta também o compromisso de investimento nas indústrias e o desenvolvimento de tecnologias por brasileiros. A primeira parte, pode ser, mas o "desenvolvimento de tecnologias" já vêm sendo feito há pelo menos cinco anos, muito antes de se pensar em definição. Sei pelas PUC, tem uma participação relevante.

Enfim, precipitação foi a palavra-chave dessa história toda (adicionada de ano eleitoral e lobby televisivo).

Há muito tempo, "nosso" ministro das telecomunicações foi repórter da TV Globo, e isto deve ter influênciado sua decisão agora. Espero que ele saiba qual será a decorrência da sua decisão.

PS: De todas as coberturas que li, a mais lúcida é a da Folha de S. Paulo. A d'O Globo é sacanagem.

quinta-feira, 29 de junho de 2006

Sobre humoristas mortos

quarta-feira, 28 de junho de 2006

Do you believe?

Descobri hoje que o Chester Bennington é filho da Cher.

Linkin Park tornou-se imensamente mais respeitável.

Coração do Império

Se o mundo fosse um lugar justo, Bryan Talbot teria sido integrante do Monty Python. A filiação ideológica/humorística ao grupo fica evidente na falsa autobiografia que Talbot encaixou em Coração do Império, ou O Legado de Luther Arkwright, lançado pela Pixel Media. Não faltam batalhas imaginárias como oficial do Império Britânico pela libertação de Minas Gerais (alusão à participação de Talbot na Bienal de Quadrinhos de Belo Horizonte, em 1997) e repúdio público às suas obras.

Porém, se Talbot tivesse sido mesmo do Monty Python, seria mais identificado com Terry Gillian, que após a fase de piadista, debandou para uma carreira mais, digamos, séria como diretor de cinema. Coração do Império tem bastante humor, mas tem principalmente uma luta por poder político embaralhada numa bela ficção steampunk - a versão vitoriana para o cyberpunk.

A história mostra um Império Britânico para o qual o sol nunca realmente se pôs. Isto levou a uma Londres gigantesca e psicodélica em art nouveau, todas as colônias tradicionais – e outras novas, como o Japão – ainda sob o jugo inglês e uma rainha que eleva a definição de despótica para outros patamares. E, se tratando de imenso poder, há sempre alguém querendo subjugá-lo. Talbot reserva esta missão ao Vaticano.

O Coração do Império é a continuação de As Aventuras de Luther Arkwright, maxissérie em que Talbot trabalhou espaçadamente desde 1976, e foi publicada aqui em dois volumes pela Via Lettera. Muito dela ecoa em Coração do Império, mas sua leitura não é imprescindível para compreensão da nova saga. Fora da grande trama política, mostra a filha de Luther, a Princesa Victoria, tentando se entender com o pai falecido e os estranhos poderes que começa a desenvolver. Traz também muitos outros personagens interessantes nas sub-tramas, como os jornalistas das colônias americanas e os demais integrantes da corte – incluindo Kenneth Baker, o intérprete do R2D2 em Guerra nas Estrelas.

Talbot sabe chocar, até meio que gratuitamente. Logo na abertura, demole um dogma católico. Também inclui Lady Diana Spencer na história, como uma louca enclausurada em um hospício nojento – e bem antes da ameaça sem graça de Peter Milligan em X-Táticos. Mas Talbot também sabe desenhar. Seu traço limpo tem um quê de Steve Dillon, um pouco mais relaxado. E, diferentemente de muitos, ele conhece os lugares que desenha. Mostra exatidão nos detalhes de Roma, até na distância entre os prédios. E sua Londres, por mais fantasiosa que seja, é construída sobre bases reais. Dá para identificar. O ápice das duas características é a seqüência de sexo, em que ele transforma quatro relações distintas em um bacanal – incluindo duas singelas estátuas de anjinhos.

A história avança de forma lenta, talvez devido ao grande número de personagens, mas entretém. Bryan Talbot – que tem um Prêmio Eisner na estante por The Tale of One Bad Rat – deu muito trabalho aos editores pelas diversas referências que usa: o álbum conta 55 notas de rodapé. A primeira parte é encerrada de forma subida, mas, de qualquer forma, o segundo volume já está nas bancas.

Coração do Império ou o Legado de Luther Arkwright. Volume I tem 164 páginas coloridas e custa R$ 33.

Publicado originalmente no Sobrecarga em 26/06/06.

Fazia um bom tempo que eu não publicava uma resenha. Motivo um: Copa do Mundo. Queria ter uma desculpa melhor, mas é isso. Motivo dois:
precisava ler um livro. Estava lendo muita HQ direto, cansei da linguagem (e o nível do texto cai). Estou terminando O Espião que veio do Frio, do John Le Carré. Comentários em breve.

Só pra constar

Vai que um dia eu preciso dessa imagem...

E como Os Trapalhões eram melhores pré-policiamente correto.

terça-feira, 27 de junho de 2006

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Teaser trailer tem a função de te irritar enquanto o filme não chega. Este acertou em cheio.

Clique na figura.

PS: Bela terça-feira. Além do teaser do Aranha e vitória do Brasil, a França garantiu uma inesperada despedida digna para o Zidane no sábado.

domingo, 25 de junho de 2006

Brixton, Bronx, Baixada e agora Berlim

Assisti a um inusitado Almanaque na GloboNews sobre o crescimento do hip hop alemão. Segue a cartilha: os principais temas, junto com seus principais MCs, vêm da pobreza. E pobreza na Alemanha está subdividida: uma parte na antiga República Democrática Alemã e - a nova onda - nos imigrantes que vêm fazer os trabalhos que os alemães não querem mais fazer.

Algo os une: a inclusão. Os "velhos" alemães querem os mesmos direito$ que seus copatriotas do ocidente. Os imigrantes querem seus direitos puros e simples. Um filho de turcos nascido na Alemanha não é alemão. Ele fala alemão, lava o prato dos alemães e contribui para a receita alemã, mas não é alemão. Coisa de primeiro mundo.

A gravadora independente que mais cresce no país é a Aggro Berlin, especializada justamente em hip hop. Seu principal artista, Bushido (nascido Anis Mohammed Yussuf Ferchichi), já foi preso por tráfico e vandalismo, e se transferiu para a Universal. Algo celebrado até pelos educadores é que o novo hip hop de Berlim colocou o alemão de novo nas rádios e na boca dos jovens. De fato, pouco ecoa da Alemanha, tirando a música eletrônica e o heavy metal melódico.

A cartilha continua sendo seguida: com a influência do gangsta rap (como eu amaldiçoou Notorius B.I.G nessas horas), há também nas letras mulheres objetos, armas e, merecendo um aparte, violência e racismo - dois elementos que funcionam ainda pior com o histórico da Alemanha.

Talvez isolando este virus, o hip hop alemão possa crescer e dar voz aos, vá lá, excluídos. É cliché, mas é o que o hip hop tem feito por muita gente no mundo.

De quebra, um vídeozinho Bushido para vocês sentirem o drama.

sábado, 24 de junho de 2006

Fafá é vacilona

Fafá: Ó-quei, Sedenta, você pode até ter o que fazer nos dois primeiros jogos, mas o terceiro você vê comigo.

Eu: Beleza, Fafá. Estou na sua mão.

Fafá: Sigam-me os bons!

Fui para a mão da Fafá e acabei ficando na mão e ponto. Na hora H, ela surgiu com uma tal festinha no Leblon excluindo os compromissos anteriores. Tsc tsc tsc. É por essas e outras que a Fafá é vacilona.

Ainda bem que João Paulo e família tiveram a sensibilidade de me acolher.

PS: Eu ia tentar não usar este blog para sacanear as pessoas, mas fez-se urgente.

Mas mantenha os respeito

Foram divulgados os finalistas do concurso do D2.

A que eu mais gostei foi a última, com os fones e plugs simétricos, mas deve ganhar a caixinha de fósforo ou a do gravite amarelado, que também são belas.

Constatar não ofende

A Nova Skin criou até uma campanha simpática para a Costa Marfim, mas deu no que deu. E os marfinenses jogaram bem.

Se depender da sorte e da habilidade do Flamengo...

PS: Já tem rubronegro tentando me convencer que Nova Skin é boa.

Tópicos e links

Ossos do ofício

Todo semestre o jornal tem que fazer seleção de estagiários, e o número de vagas é condicional a qualidade da seleção. A seleção deste semestre foi muito boa; cinco pessoas vão ter que sair.

Foi o pior dia do ano.

Triste coincidência

Perdemos o integrante mais engraçado do principal grupo de humor da TV por problemas do coração no meio de um copa. Exatamente como 1994.

Que pelo menos o desfecho seja o mesmo.

Insignificância





quarta-feira, 21 de junho de 2006

Verde, amarelo e preto.

Fazia tempo que eu não gostava tanto de um texto do Dapieve.

terça-feira, 20 de junho de 2006

Tempo livre é isso aí



Depois do blog, o vlog.

Febeaco

Festival de Besteiras que Assola a Copa na TV

Não concordo com tudo. Mas vale pelo processo civilizatório do Togo no começo e a frase do João Saldanha no fim.

segunda-feira, 19 de junho de 2006

"Bussunda vem da mistura das duas coisas que eu mais gosto"

Adeus para Bussunda

À esta altura, todos já sabem que o humorista Bussunda
morreu no sábado, 17 de junho, em Munique, na Alemanha, vítima de um ataque cardíaco fulminante. Mas o SoBReCaRGa não pode deixar de registrar a grande perda para o humorismo brasileiro.

Cláudio Besserman Vianna era um típico boa praça da zona sul carioca. Começou - ainda como estudante de Comunicação da UFRJ - a colaborar com o jornal de humor Casseta Popular. Na fusão com o Planeta Diário, foi criado o Casseta & Planeta, que entre outros feitos promoveu a candidatura do macaco Tião para a Prefeitura do Rio de Janeiro. Bussunda e seus integrantes se tornaram redatores da TV Pirata, na Rede Globo, e depois de Doris para Maiores. Em 1992, entrou no ar o Casseta & Planeta Urgente, onde está até hoje.

Mesmo com a fama, Bussunda não perdeu a simplicidade. Era comum encontrá-lo na praia de Ipanema brincando com sua filha ou em botecos do Leblon, conversando com todo mundo. Entre os presentes em seu velório, ontem, no ginásio do Flamengo – clube do qual era devoto –, estava uma senhora que vendia café na esquina de sua casa, de quem era freguês fiel.

Vai fazer falta. Mas chega de tristeza que esta não era a praia dele.

Textozinho rápido e faceiro em homenagem ao Bussunda que fiz lá pro Sobs. Acabou ganhando até destaque. Na ilustração, mais uma da série "Relíquias do Tavela".

Jal na Copa


Experiência interessante: o cartunista Jal tem desenhado cartuns durante os jogos do Brasil, de acordo com o que acontece em campo.

O cara é rápido.

sábado, 17 de junho de 2006

Luto


Sem lenga-lenga, nem xurumela, muito menos tristeza porque não era a dele. Vou deixar de encontrar o Bussunda no Jobi e ficar imaginando as duas vezes que ele foi madrinha da bateria da Banda de Ipanema, na fase pré-gay (da Banda, e não dele).

Plageando a idéia de um amigo,

PERDEU, MANÉ!

Todos nós perdemos.

Mais para ver a Copa de forma diferenciada

- Blog da Redação do Uol.

- Mala das malas.

quinta-feira, 15 de junho de 2006

Desabafo

Não aguento mais os sotaques de Casagrande e Renato Marcília.

Duplo acerto

Joaquim acertou de novo.

Já o Zuenir não acertava há um tempo.

E, já que falei de No Mínimo, tirei de lá a Amy Taylor.

quarta-feira, 14 de junho de 2006

Iggor saiu mesmo

12 de Junho de 2006
Comunicado à imprensa:

Baterista e co-fundador da maior banda de heavy metal brasileira alega desgaste e incompatibilidade de idéias com os integrantes da banda e sinaliza novos projetos

Iggor Cavalera, um dos fundadores da maior banda de heavy metal brasileira, o Sepultura, comunica a sua saída da banda. O músico e baterista alega desgaste e incompatibilidade de idéias com o resto da banda e sinaliza novos projetos.

“Vários motivos me levaram a tomar essa importante decisão em minha vida e gostaria de compartilhar isso com todos. Acredito que a minha missão no Sepultura tenha chegado ao fim. Tenho muito orgulho de tudo o que fizemos, mas hoje sinto que o formato da banda já não atende mais às minhas expectativas como músico e como pessoa. Desde a minha última turnê na Europa em dezembro de 2004, percebi que as minhas idéias já não batiam com as do resto da banda”, afirma Iggor.

Desde 1985, o Sepultura lançou 10 discos (“Bestial Devastation”, 1985; “Morbid Visions”, 1986; “Schizophrenia”, 1987; “Beneath the Remais”, 1989; “Arise”, 1991; “Roots”, 1996; “Against”, 1998; “Nation”, 2001 “Roorback”, 2003 e DanteXXI, 2006), que venderam milhares de cópias mundialmente. A banda conheceu seu auge de vendas e de público nos shows em 1996, ano de lançamento, de Roots, que representou uma guinada musical no heavy metal, com a inserção de percussões tribais, fruto de novas experiências musicais com índios xavantes. No entanto, após o lançamento do disco e da turnê mundial, Max Cavalera vocalista e guitarrista, irmão de Iggor comunicou sua saída da banda para seguir carreira-solo. A banda continuou na estrada, com Derrick Green, continuando o sucesso da formação original.

Afastado das turnês desde meados de 2005, quando foi substituído por Roy Mayorga, Iggor começou a notar que suas ambições individuais não eram compatíveis com as do grupo e começou a seu processo de afastamento criativo do Sepultura. “Muitos anos de trabalho em conjunto fizeram com que o relacionamento fosse se desgastando cada vez mais e vejo que hoje não há compatibilidade de idéias entre eu e o resto da banda. Tentei deixar isso claro aos outros membros propondo que déssemos um tempo, no entanto a prioridade deles era a de continuar tocando independentemente da minha permanência”, diz Iggor.

Como músico e baterista, Iggor continua batalhando e buscando novas referências para produzir algo autêntico e verdadeiro que represente aquilo que o Sepultura foi em sua vida. Ultimamente, o músico pesquisa uma pegada mais atual para o heavy metal, com influências do hip hop, metal e hardcore.. Segundo Iggor, a decisão de sair do Sepultura foi uma das mais difíceis de sua carreira, uma vez que, como um dos fundadores da banda, dedicou praticamente toda sua vida à banda.

“Gostaria imensamente de agradecer a todos os fãs que me apoiaram e continuam apoiando a nossa música. E também a todos que trabalharam para fazer do Sepultura a banda que é.”

Papos de copa

Quando você acha que nada pode ser pior que a apatia do Brasil, a ex-modelo que morou em Nova Iorque pergunta: "Cadê o Dunga?"

Depois ela se salvou, afirmando que o técnico da Croácia é, na verdade, o Clodovil.

***

- Mas conta alguma coisa engraçada de você...

- Pô, assim, de supetão, é difícil.

- Vou começar eu; já fui eleita a Rainha de Araruama.

Parei por ali.

domingo, 11 de junho de 2006

Detonautas

Eu assisti o último show do guitarrista do Detonautas, no Porão do Rock, em Brasília. Estopu para fazer um post detalhado sobre o Porão, mas esse aqui vai pros Detonautas.

Fato: eles estavam melhorando. Não gosto do Detonautas, mas o show foi bom. As músicas do último álbum são mais densas. As letras são melhores. O Tico tem que ser menos carioca, mas, enfim, são a banda de mais sucesso do Rio desde o Los Hermanos.

E fizeram muito por merecer. Quem acompanha a agenda de shows da cidade lembra que não havia final de semana sem show dos Detonautas, principalmente nas Lonas Culturais, um dos projeto mais acertados da prefeitura. Assisti show deles em sarau de universidade na W, para servir de exemplo.

Bom, o guitarrista morreu assassinado. Vacilou? Talvez, mas lembre-se que a avó estava no carro. Não vou bater na tecla da violência. A banda já falou disso, com mais propriedade pelo momento e melhor falado. O que mais me deixou perplexo é saber, 20 e poucas horas após eu ter visto o cara fazer o que mais gostava da vida - e, antes, tê-lo visto no saguão do aeroporto - ele estava morto.

A vida é pouca.

Homem-Aranha/ Homem-Aranha / Ele não bate/ Só apanha



Coisa boa de morar em NY é que você pode andar pela rua e esbarrar com uma filmagem de Homem-Aranha 3. Tirei daqui, onde tem fotos.

Quiz HQ

Quem é o sujeito? A Guinness é uma dica.

Depois coloco a resposta nos comentários.

Holanda

Acordei cedo à toa de novo. Timizinho enfadonho esse da Holanda. Não deve ir longe - mas acho que o Van Basten tá preparando mesmo eles é pra 2010.

Queimei a língua legal com a Suécia. Sancho e Hislop são os caras.

sábado, 10 de junho de 2006

Inglaterra: decepção

Começou rugindo (os primeiros três minutos) mas depois virou um time modorrento. Não disse a que veio ainda. Se o Roque Santacruz tivesse efetivamente jogado, as coisas teriam sido diferente. Acordei mais cedo pra ver pelada.

Vou pra praia e vou voltar no meio de Suécia e Trinidad e Tobago. Com a minha sorte, a Suécia vai esculachar e eu vou perder os melhores lances.

Ah, os tricolores devem ter ficado emocionados. O Paredes parece muito com o Roger. Inclusive, faz umas jogadas tão inverossímeis como o Roger.

quinta-feira, 8 de junho de 2006

Presente pro seu amigo clubber babaca

Uma camiseta com um equalizador que "se equaliza" com a música ambiente. Vem com microfone embutido.

Grande e cara merda.

O Optimus Prime nunca fez isso...




Belo comercial da Citröen. E ouçam o hip hop francês. Passy est le mec.

Obs.: Tragedy de cu é rola.

"It was the time of the Preacher..."

Preacher – A Caminho do Texas é a melhor coisa que Garth Ennis e Steve Dillon fizeram juntos – sempre com as lindas capas pintadas de Glenn Fabry. Talvez seja a melhor coisa que já fizeram. Se o nome de Ennis aparece em título de notícia aqui no SoBReCaRGa, a razão principal é Preacher. Mais de uma década após a publicação original – a primeira edição saiu nos Estados Unidos em 1995; a última, de número 66, é de 2000 – finalmente temos no país uma edição decente do início da saga de Jesse Custer. O encadernado da Devir compila as sete primeiras edições da série da Vertigo, com os dois primeiros arcos.

Mas, enfim, por que todo o foguetório acerca de Preacher? Pela complexidade e não-complexidade. A série mostra um pastor desencantado, Jesse Custer, que recebe em seu corpo uma entidade divina mega-poderosa filha de um anjo e um demônio, e resolve sair em busca de Deus – literalmente. Custer é acompanhado por sua (ex-)namorada Tulip, envolvida em um esquema criminoso, e pelo irlandês beberrão (quase um pleonasmo isso) Cassidy, na verdade um vampiro de 100 anos de idade – o ideal era manter esta informação sigilosa, mas, a esta altura do campeonato, todos já sabem do lado sobrenatural de Cass.

Como evidencia o subtítulo do álbum, Ennis usa seu olhar exterior para fazer de Preacher
também uma análise sobre o Texas, e destrinchar alguns dos elementos que compõem a base cultural de um dos mais poderosos estados americanos. Seu personagem principal está em uma cruzada religiosa, procurando seu Deus do interior do Texas até Nova Iorque. Os personagens resolvem tudo pela lógica da bala, remetendo aos cowboys que fazem parte da mitologia do lugar. E Custer tem como mentor espiritual o maior de todos os vaqueiros.

Ou você pode simplesmente ler Preacher como uma história hilária com alguns dos personagens mais bizarros das HQs mundiais – o que é o Cara-de-Cu!? – recheada de situações escatológicas, surreais, inverossímeis e deliciosas, como o fim do Xerife Root ou a revelação do detetive Paul Bridges.

Simplicidade também é a tônica de Steve Dillon. Seu traço claro e rápido dá total conta do recado – tanto que não mudou nada dez anos depois, como pode ser visto nas minisséries que ele agora desenha para a Marvel.

O ideal é que Preacher seja lido com as várias interpretações costuradas, sempre almejando a máxima diversão descompromissada e sacana – o principal objetivo dos geniais Ennis e Dillon. Bela química irlandesa.

Preacher – A Caminho do Texas tem formato 24x16,5 cm, 200 páginas em couché brilhoso, capa cartonada com reserva de verniz, introdução pelo escritor texano Joe R. Lansdale e custa R$ 45. A série completa terá nove volumes.

Publicado originalmente no Sobrecarga em 07/06/06.

Cara, isso é tão bom que ficou difícil descrever. Acho que tem coisas que só são possíveis em quadrinhos. Preacher é uma delas. Como isso consegue ser sarcástico, visceral, um tanto lírico. Poderoso!

quarta-feira, 7 de junho de 2006

João do Santo Cristo

Juscelino Kubitschek pode ter sido um grande FDP. Mas ele fez Brasília. Brasília é algo frio, não tem gente andando na rua, os prédios emulam o gigantismo do Estado. Mas como é bela aquela cidade. Há certas imagens icônicas que nos acompanham desde que temos consciência, como as abôbadas antagônicas da Câmara e do Senado, as arcadas e o meteóro do Itamaraty ou as colunas estreladas do Alvoradas, mas só vendo de perto para se ter noção. É o tipo de coisa que não se cansa de ver.

JK podia ser um FDP. Mas Niemeyer e Lúcio Costa eram FDPs maiores ainda.

De novo, estão complementando a esplanada com duas obras que estavam no programa inicial de Niemeyer, a Biblioteca e um centro de lazer (seja lá o que isto for). E estão reestruturando o cruzamento do eixo monumental com o eixão, após 50 anos de um volume de tráfego bem maior que o esperado. O concreto já rachou - pra finalizar com outra citação cínica.

terça-feira, 6 de junho de 2006

quinta-feira, 1 de junho de 2006

Eu sei o que vocês fizeram no verão passado

Caso você queira falir com a sua locadora, coloque Caché na seção de Terror. Ninguém alugaria, mas seria justiça cinematográfica.

Michael Haneke faz sua tensa crítica ao liberté - equalité - fraternité hipócrita da França, que tenta se misturar e não consegue. Ou nem tenta. Se o Cláudio Lembo fala em elite branca cruel no Brasil, experimente ver no hexagono.

Personagens bem construídos, belos planos, Juliette Binoche mostrando como ser histérica com classe. Daniel Auteuil é o melhor ator francês do momento - mesmo sendo argelino (e isto não está escrito aqui por acaso). Ainda bem que existe bom cinema europeu pra te livrar das baboseiras.

Shockrockets

Top Gun

Tramas complexas. Diversas referências que exigem glossário. Temas que podem chocar pessoas mais sensíveis. Ok, mas
Shockrockets – Esquentando os Motores não é nada disso. Trata-se de uma ingênua aventura direta de Kurt Busiek e Stuart Immonen com naves em um futuro próximo.

O politicamente correto protagonista latino Alejandro Cruz quer ser mecânico. Os Shockrockets, equipe aérea financiada por um pool de grandes empresas e governos, foi o principal trunfo na contenção de uma invasão alienígena, justamente por usarem tecnologia alien – uma fusão homem-máquina, algo meio Evangelion. Alejandro sonha com os Shockrockets, e – como você já imaginava –, por um golpe do destino, entra para o time salvando o dia, literalmente.

A introdução escrita pelo jornalista Rodrigo Salem, que traduziu a HQ, ajuda a desvendar quem é Busiek. Vítima de uma criação careta e de A Sedução dos Inocentes, livro que viu vários chifres em cabeça de cavalo nos quadrinho na década de 1950, o roteirista nunca foi dado a scripts rebuscados, mas sabe encadear bem uma história.

Nada disto impediu que ele utilize recursos narrativos interessantes, como usar um narrador-personagem diferente em cada capítulo de Shockrockets, abrindo e fechando com Alejandro. Talvez o mais interessante seja o terceiro, contado pelo japonês Shin Tsuruta, por ser justamente o mais, hum, complexo.

Immonen concebeu bons designers zoomórficos para as naves e deixa a história fluir bem com algumas páginas bem recortadas alternadas com splash pages. Ainda não é o esculacho visual de uma outra parceira com Busiek, Superman – Identidade Secreta, mas cumpre a missão.

Com suas seis partes publicadas originalmente em 2000 pelo selo Gorilla Comics da Image – frustrada tentativa de Busiek, Mark Waid e George Pérez de ter sua própria editora – e depois republicado em um volume pela Dark Horse, a HQ traz um estranho final profético à época, com um ataque terrorista em Nova Iorque.

Shockrockets é previsível. Mas se você se deixar enrolar, garante alguma diversão.

Shockrockets – Esquentando os Motores tem formato 26x17 cm, 164 páginas em couché, capa cartonada e custa R$ 33.

Publicado originalmente no Sobrecarga em 31/05/06.